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    Testemunho de Flávio Josefo Sobre o falso Cristo!

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    Testemunho de Flávio Josefo Sobre o falso Cristo!

    Mensagem por Fco Oliveira em Seg Nov 21, 2011 7:33 pm

    Testimonium Flavianum



    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Testimonium_Flavianum

    Testimonium Flavianum (em português "Testemunho de Flávio"), é o nome dado a um trecho da obra Antiguidades Judaicas, escrita no século I d.C. pelo historiador judeu Flávio Josefo, que mencionam Jesus de Nazaré como o Cristo.
    Testimonium Flavianum

    Flávio Josefo, que viveu de 37 d.C. até o ano 100, de acordo com os textos que chegaram até nós teria se referido a Jesus como o Cristo em seu livro Antiguidades Judaicas, livro 18, parágrafos 63 e 64, escrito em 93 em grego koiné:

    <blockquote>"Havia neste tempo Jesus, um homem sábio [se é lícito chamá-lo de homem, porque ele foi o autor de coisas admiráveis, um professor tal que fazia os homens receberem a verdade com prazer].

    Ele fez seguidores tanto entre os judeus como entre os gentios.[Ele era o Cristo.] E quando Pilatos, seguindo a sugestão dos principais entre nós, condenou-o à cruz, os que o amaram no princípio não o esqueceram;

    [porque ele apareceu a eles vivo novamente no terceiro dia; como os divinos profetas tinham previsto estas e milhares de outras coisas maravilhosas a respeito dele]
    .
    E a tribo dos cristãos, assim chamados por causa dele, não está extinta até hoje."

    (Indicado em negrito possíveis interpolações.)
    </blockquote><blockquote>O texto original em grego koiné:
    Γίνεται δὲ κατὰ τοῦτον τὸν χρόνον Ἰησοῦς σοφὸς ἀνήρ, εἴγε ἄνδρα αὐτὸν
    </blockquote><blockquote> λέγειν χρή: ἦν γὰρ παραδόξων ἔργων ποιητής, διδάσκαλος ἀνθρώπων τῶν
    ἡδονῇ τἀληθῆ δεχομένων, καὶ πολλοὺς μὲν Ἰουδαίους, πολλοὺς δὲ καὶ τοῦ
    Ἑλληνικοῦ ἐπηγάγετο: ὁ χριστὸς οὗτος ἦν. καὶ αὐτὸν ἐνδείξει τῶν πρώτων
    ἀνδρῶν παρ᾽ ἡμῖν σταυρῷ ἐπιτετιμηκότος Πιλάτου οὐκ ἐπαύσαντο οἱ τὸ
    πρῶτον ἀγαπήσαντες: ἐφάνη γὰρ αὐτοῖς τρίτην ἔχων ἡμέραν πάλιν ζῶν τῶν
    θείων προφητῶν ταῦτά τε καὶ ἄλλα μυρία περὶ αὐτοῦ θαυμάσια εἰρηκότων.
    εἰς ἔτι τε νῦν τῶν Χριστιανῶν ἀπὸ τοῦδε ὠνομασμένον οὐκ ἐπέλιπε τὸ
    φῦλον.

    </blockquote>

    I Jesus Cristo Nunca Existiu!

    Os pesquisadores que se dedicaram ao estudo das origens do
    cristianismo sabem que, desde o Século II de nossa era, tem sido posta
    em dúvida a existência de Cristo.

    Muitos até mesmo entre os cristãos
    procuram provas históricas e materiais para fundamentar sua crença.
    Infelizmente, para eles e sua fé, tal fundamento jamais foi conseguido,
    porquanto, a história cientificamente elaborada denota que a existência
    de Jesus é real apenas nos escritos e testemunhas daqueles que tiveram
    interesse religioso e material em prová-la.

    Desse modo, a existência, a vida e a obra de Jesus carecem
    de provas indiscutíveis. Nem mesmo os Evangelhos constituem documento
    irretorquível.

    As bibliotecas e museus guardam escritos e documentos de
    autores que teriam sido contemporâneos de Jesus, os quais não fazem
    qualquer referência ao mesmo.

    Por outro lado, a ciência histórica tem-se
    recusado a dar crédito aos documentos oferecidos pela Igreja, com
    intenção de provar-lhe a existência física. Ocorre que tais documentos,
    originariamente, não mencionavam sequer o nome de Jesus; todavia, foram
    falsificados, rasurados e adulterados visando suprir a ausência de
    documentação verdadeira.

    Por outro lado, muito do que foi escrito para provar a
    inexistência de Jesus Cristo foi destruído pela Igreja, defensivamente.
    Assim é que, por falta de documentos verdadeiros e indiscutíveis, a
    existência de Jesus tem sido posta em dúvida desde os primeiros séculos
    desta era, apesar de ter a Igreja tentado destruir a tudo e a todos os
    que tiveram coragem ousaram contestar os seus pontos de vista, os seus
    dogmas.

    Por tudo isso é que o Papa Pio XII, em 955, falando para um Congresso Internacional de História em Roma, disse: “Para os cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo concerne à fé, e não à história.

    Emílio Bossi, em seu livro intitulado “Jesus Cristo Nunca
    Existiu”, compara Jesus Cristo a Sócrates, que igualmente nada deixou
    escrito. No entanto, faz ver que Sócrates só ensinou o que é natural e
    racional, ao passo que Jesus ter-se-ia apenas preocupado com o
    sobrenatural.

    Sócrates teve como discípulos pessoas naturais, de
    existência comprovada, cujos escritos, produção cultural e filosófica
    passaram à história como Platão, Xenófanes, Euclides, Esquino, Fédon.
    Enquanto isso, Jesus teria por discípulos alguns homens analfabetos como
    ele próprio tê-lo-ia sido, os quais apenas repetiriam os velhos
    conceitos e preconceitos talmúdicos.

    Sócrates, que viveu 5 séculos antes de Cristo e nada
    escreveu, jamais teve sua existência posta em dúvida. Jesus Cristo, que
    teria vivido tanto tempo depois, mesmo nada tendo escrito, poderia
    apesar disso ter deixado provas de sua existência. Todavia, nada tem
    sido encontrado que mereça fé. Seus discípulos nada escreveram. Os
    historiadores não lhe fizeram qualquer alusão.

    Além disso, sabemos que, desde o Século II, os judeus
    ortodoxos e muitos homens cultos começaram a contestar a veracidade de
    existência de tal ser, sob qualquer aspecto, humano ou divino. Estavam,
    assim, os homens divididos em duas posições: a dos que, afirmando a
    realidade de sua existência, divindade e propósitos de salvação,
    perseguiam e matavam impiedosamente aos partidários da posição
    contrária, ou seja, àqueles cultos e audaciosos que tiveram a coragem de
    contestá-los.

    O imenso poder do Vaticano tornou a libertação do homem da
    tutela religiosa difícil e lenta. O liberalismo que surgiu nos últimos
    séculos contribuiu para que homens cultos e desejosos de esclarecer a
    verdade tentassem, com bastante êxito, mostrar a mistificação que tem
    sido a base de todas as religiões, inclusive do cristianismo.

    Surgiram também alguns escritos elucidativos, que por sorte haviam escapado à
    caça e à queima em praça pública. Fatos e descobertas desta natureza
    contribuíram decisivamente para que o mundo de hoje tenha uma concepção
    científica e prática de tudo que o rodeia, bem como de si próprio, de
    sua vida, direitos e obrigações.

    A sociedade atualmente pode estabelecer os seus padrões de
    vida e moral, e os seus membros podem observá-los e respeitá-los por si
    mesmos, pelo respeito ao próximo e não pelo temor que lhes incute a
    religião. Contudo, é lamentavelmente certo que muitos ainda se conservam
    subjugados pelo espírito de religiosidade, presos a tabus caducos e
    inaceitáveis.

    Jesus Cristo foi apenas uma entidade ideal, criada para
    fazer cumprir as escrituras, visando dar sequência ao judaísmo em face
    da diáspora, destruição do templo e de Jerusalém.

    Teria sido um arranjo
    feito em defesa do judaísmo que então morria, surgindo uma nova crença.
    Ultimamente, têm-se evidenciado as adulterações e falsificações
    documentárias praticadas pela Igreja, com o intuito de provar a
    existência real de Cristo.

    Modernos métodos como, por exemplo, o método
    comparativo de Hegel, a grafotécnica e muitos outros, denunciaram a má
    fé dos que implantaram o cristianismo sobre falsas bases com uma
    doutrina tomada por empréstimos de outros mais vivos e inteligentes do
    que eles, assim como denunciaram os meios fraudulentos de que se valeram
    para provar a existência do inexistente.

    É de se supor que, após a fuga da Ásia Central, com o tempo
    os judeus foram abandonando o velho espírito semita, para irem-se
    adaptando às crenças religiosas dos diversos povos que já viviam na Ásia
    Menor.

    Após haverem passado por longo período de cativeiro no Egito, e,
    posteriormente, por duas vezes na Babilônia, não estranhamos que tenham
    introduzido no seu judaísmo primitivo as bases das crenças dos povos
    com os quais conviveram.

    Sendo um dos povos mais atrasados de então, e
    na qualidade de cativos, por onde passaram, salvo exceções, sua
    convivência e ligações seria sempre com a gente inculta, primária e
    humilde. Assim é que, em vez de aprenderem ciências como astronomia,
    matemática, sua impressionante legislação, aprenderam as superstições do
    homem inculto e vulgar.

    Quando cativos na Babilônia, os sacerdotes judeus que
    constituíram a nata, o escol do seu meio social, nas horas vagas, iriam
    copiando o folclore e tudo o que achassem de mais interessante em
    matéria de costumes e crenças religiosas, do que resultaria mais tarde
    compendiarem tudo em um só livro, o qual recebeu o nome de Talmud, o
    livro do saber, do conhecimento, da aprendizagem.

    Por uma série de
    circunstâncias, o judeu foi deixando, aos poucos, a atividade de pastor,
    agricultor e mesmo de artífice, passando a dedicar-se ao comércio.

    A atividade comercial do judeu teve início quando levados
    cativos para a Babilônia, por Nabucodonosor, e intensificou-se com o
    decorrer do tempo, e ainda mais com a perseguição que lhe moveria o
    próprio cristianismo, a partir do século IV.

    Daí em diante, a
    preocupação principal do povo judeu foi extinguir de seu meio o
    analfabetismo, visando com isso o êxito de seus negócios. Deve-se a este
    fato ter sido o judeu o primeiro povo no meio do qual não haveria
    nenhum analfabeto. Destarte, chegando a Roma e a Alexandria,
    encontrariam ali apenas a prática de uma religião de tradição oral,
    portanto, terreno propício para a introdução de novas superstições
    religiosas.

    Dessa conjuntura é que nasceu o cristianismo, o máximo de
    mistificação religiosa de que se mostrou capaz a mente humana.
    O judeu da diáspora conseguiu o seu objetivo. Com sua
    grande habilidade, em pouco tempo o cristianismo caiu no gosto popular,
    penetrando na casa do escravo e de seu senhor, invadindo inclusive os
    palácios imperiais.

    Crestus, o Messias dos essênios, pelo qual parece
    terem optado os judeus para a criação do cristianismo, daria origem ao
    nome de Cristo, cristão e cristianismo. Os essênios haviam-se
    estabelecido numa instituição comunal, em que os bens pessoais eram
    repartidos igualmente para todos e as necessidades de cada um
    tornavam-se responsabilidade de todos.

    Tal ideal de vida conquistaria, como realmente aconteceu,
    ao escravo, a plebe, enfim, a gente humilde. Daí, a expansão do
    cristianismo que, nada tendo de concreto, positivo e provável, assumiu
    as proporções de que todos temos conhecimento. Não tendo ficado restrita
    à classe inculta e pobre, como seria de se pensar, começou a ganhar
    adeptos entre os aristocratas e bem-nascidos.

    De tudo o que dissemos, depreende-se que o cristianismo foi
    uma religião criada pelos judeus, antes de tudo como meio de
    sobrevivência e enriquecimento. Tudo foi feito e organizado de modo a
    que o homem se tornasse um instrumento dócil e fácil de manejar, pelas
    mãos hábeis daqueles aos quais aproveita a religião como fonte de
    rendimentos.

    Métodos modernos como, por exemplo, o método comparativo de
    Hegel, a grafotécnica, o uso dos isótopos radioativos e
    radiocarbônicos, denunciaram a má fé daqueles que implantaram o
    cristianismo, falsificando escritos e documentos na vã tentativa de
    provar o que lhe era proveitoso.

    Por meios escusos tais como os citados,
    a Igreja tornou-se a potência financeira em que hoje se constitui.
    Finalmente, desde o momento em que surgiu a religião, com ela veio o
    sacerdote que é uma constante em todos os cultos, ainda que recebam
    nomes diversos.

    A figura do sacerdote encarregado do culto divino tem
    tido sempre a preocupação primordial de atemorizar o espírito dos povos,
    apresentando-lhes um Deus onipotente, onipresente e, sobretudo,
    vingativo, que a uns premia com o paraíso e a outros castiga com o
    inferno de fogo eterno, conforme sejam boas ou más suas ações.

    No cristianismo, encontraremos sempre o sacerdote afirmando
    ter o homem uma alma imortal, a qual responderá após a morte do corpo,
    diante de Deus, pelas ações praticadas em vida. Como se tudo não
    bastasse, o paraíso, o purgatório dos católicos e o inferno, há ainda
    que considerar a admissão do pecado original, segundo o qual todos os
    homens ao nascer, trazem-no consigo.

    Ora, ninguém jamais foi consultado a respeito de seu desejo
    ou não de nascer. Assim sendo, como atribuir culpa de qualquer natureza
    a quem não teve a oportunidade de manifestar vontade própria. Quanta
    injustiça! Condenar inocentes por antecipação.

    O próprio Deus e o
    próprio Cristo revoltar-se-iam por certo ante tão injusta legislação, se
    os próprios existissem. A todos os membros deste forum, diante dos fatos históricos, sobre o falso Messias Jesus Cristo, vamos deixar uma coisa bem clara:

    - Se o Messias Jesus Cristo é um Messias solar da Era de peixe, falso, todos os nomes hebraicos que se dão a este Messias, é apenas um nome hebraico que se dá um ídolo pagão.

    - Yahushua, Yehoshua, Yeshua, Yoshua, Yaohushua é apenas um nome hebraico que deram a este Messias solar e isto não anula o ídolo pagão que ele é. Entendemos irmãos! Toda glória e honra, somente ao Eterno Deus Criador, aleluia!


    Última edição por Admin em Sex Jan 27, 2012 9:10 am, editado 1 vez(es)
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    Fco Oliveira
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    Re: Testemunho de Flávio Josefo Sobre o falso Cristo!

    Mensagem por Fco Oliveira em Seg Nov 21, 2011 7:33 pm



    II  As Provas e as Contra Provas

    A Igreja serviu-se de farta documentação, conforme já mencionamos
    anteriormente, com intenção de provar a existência de Cristo. No
    entanto, a história ignora-o completamente.

    Quanto aos autores profanos
    que pretensamente teriam escrito a seu respeito, foram nesta parte
    falsificados. Por outro lado, documentos históricos demonstram sua
    inexistência.

    As provas históricas merecem nosso crédito, porque
    pertencem à categoria dos fatos certos e positivos, e constituem
    testemunhos concretos e válidos de escritores de determinadas escolas.

             A interpretação da Bíblia e da mitologia comparada não
    resiste a uma confrontação com a história. Flávio Josefo, Justo de
    Tiberíades, Filon de Alexandria, Tácito, Suetônio e Plínio, o Jovem,
    teriam feito em seus escritos, referências a Jesus Cristo?

    Todavia, tais
    escritos após serem submetidos a exames grafotécnicos, revelaram-se
    adulterados no todo ou em parte, para não se falar dos que foram
    totalmente destruídos.



    Além disso, as referências feitas a Crestus,

    Cristo ou Jesus, não são feitas exatamente a respeito do Cristo dos

    Cristãos e sim, de um certo judeu chamado de Yeshua ou Yahushua.



    Seria mesmo difícil estabelecer qual o Cristo seguido pelos
    cristãos, visto que esse era um nome (Yeshua ou Yahushua) comum na Galileia e Judeia.

    Vejam que os documentos mais antigos do mundo, em nenhum deles encontramos se quer um só homem com o nome intitulado Jesus Cristo e sim Yeshua ou Yahushua.

    Segundo Tácito, judeus e egípcios foram expulsos de Roma
    por formarem uma só e mística superstição cristã. As expulsões ocorreram
    duas vezes no tempo de Augusto e a terceira vez no governo de Tibério,
    no ano 19 desta era.

    Tais expulsões desmentem a existência de Jesus,
    porquanto, ocorreram quando ainda o nome de cristão aplicava-se a
    superstição judaico-egípcia, a qual se confundiu com o cristianismo.

             Filon de Alexandria, apesar de ter contribuído
    poderosamente para a formação do cristianismo, seu testemunho é
    totalmente contrário à existência de Cristo.

    Filon havia escrito um
    tratado sobre o Bom Deus — Serapis —, tratado este que foi destruído. Os
    evangelhos cristãos a ele muito se assemelham, e os falsificadores não
    hesitaram em atribuir as referências como sendo feitas a Cristo.

             Os historiadores mostram que essa religião nasceu em
    Alexandria, e não em Roma ou Jerusalém. Fazem ver que ela nasceu das
    ideias de Filon que, platonizando e helenizando o judaísmo, escreveu boa
    parte do Apocalipse.

    A mesma transformação que o cristianismo dera ao
    judaísmo ao introduzir-lhe o paganismo e a idolatria, Filon imprimira a
    essa crença, até então apenas terapeuta, dando-lhe feição grega, de
    cunho platônico.

             Embora tenha sido de certo modo o precursor do
    cristianismo, não deixou a menor prova de ter tomado conhecimento da
    existência de Jesus Cristo, o mago rabi, e isto é lógico porque o
    cristianismo só iria ser elaborado muito depois de sua morte.

             Bastaria o silêncio de Filon para provar estarmos diante de
    uma nova criação mitológica, de cunho metafísico. Entretanto,
    escrevendo como cristão, os lançadores do cristianismo louvaram-se nas
    suas ideias e escritos.

    Tivesse Jesus realmente existido, jamais Filon
    deixaria de falar em seu nome, descreveria certamente sua vida
    miraculosa.

    Filon relata os principais acontecimentos de seu tempo, do
    judaísmo e de outras crenças, não mencionando, porém, nada sobre Jesus.
    Cita Pôncio Pilatos e sua atuação como Procurador da Judeia, mas não se
    refere ao julgamento de Jesus a que ele teria presidido.

             Fala igualmente dos essênios e de sua doutrina comuna
    dizendo tratar-se de uma seita judia, com mosteiro à margem do Jordão,
    perto de Jerusalém.

    Quando no reinado de Calígula esteve em Roma
    defendendo os judeus, relata diversos acontecimentos da Palestina, mas
    não menciona nada a respeito de Jesus, seus feitos ou sua sorte e
    destino.

             Filon, que foi um dos judeus mais ilustres de seu tempo, e
    sempre esteve em dia com os acontecimentos, jamais omitiria qualquer
    notícia acerca de Jesus, cuja existência, se fosse verdadeira, teria
    abalado o mundo de então. Impossível admitir-se tal hipótese, portanto.

             Por isso é que M. Dide fez ver que, diante do silêncio de
    homens extraordinários como Filon, os acontecimentos narrados pelos
    evangelistas não passam de pura fantasia religiosa. Seu silêncio é a
    sentença de morte da existência de Jesus.

             O mesmo silêncio se estende aos apóstolos, assinala Emílio
    Bossi. Evidencia que tudo quanto está contido nos Evangelhos refere-se a
    personalidades irreais, ideais, sobrenaturais de inexistentes
    taumaturgos.

    O silêncio de Filon e de outros se estende não apenas a
    Jesus, mas também aos seus pretensos apóstolos, a José, a Maria, seus
    filhos e toda a sua família.

             Flávio Josefo, tendo nascido no ano 37, e escrevendo até 93
    sobre judaísmo, cristianismo terapeuta, messias e Cristos, nada disse a
    respeito de Jesus Cristo.

    Justo de Tiberíades, igualmente não fala em
    Jesus Cristo, conquanto houvesse escrito uma história dos judeus, indo
    de Moisés ao ano 50.

    Ernest Renan, em sua obra “Vie de Jesus”, apesar de
    ter tentado biografar Jesus, reconhece o pesado silêncio que fizeram
    cair sobre o pretenso herói do cristianismo.

             Os Gregos, os romanos e os hindus dos séculos I e II jamais
    ouviram falar na existência física de Jesus Cristo. Nenhum dos
    historiadores ou escritores, judeus ou romanos, os quais viveram ao
    tempo em que pretensamente teria vivido Jesus, ocupou-se dele
    expressamente.

    Nenhum dedicou-lhe atenção. Todos foram omissos quanto a
    qualquer movimento religioso ocorrido na Judeia, chefiado por Jesus.

             A história não só contesta a tudo o que vem nos Evangelhos,
    como prova que os documentos em que a Igreja se baseou para formar o
    cristianismo foram todos inventados ou falsificados no todo ou parte,
    para esse fim.

    A Igreja sempre dispôs de uma equipe de falsários, os
    quais dedicaram-se afanosamente a adulterar e falsificar os documentos
    antigos com o fim de pô-los de acordo com os seus cânones.

             O piedoso e culto bispo de Cesareia, Eusébio, como muitos
    outros tonsurados, receberam ordens papais para realizar modificações em
    importantes papéis da época, adulterando-os e emendando-os segundo suas
    conveniências.

    Graças a esses criminosos arranjos, a Igreja terminaria
    autenticando impunemente sua novela religiosa sobre Jesus Cristo, sua
    família, seus discípulos e o seu tempo.

             Conan Doyle imortalizou o seu personagem, Sherlock Holmes,
    assim como Goethe ao seu Werther. Deram-lhes vida e movimento como se
    fossem pessoas reais, de carne e ossos.

    Muitos outros escritores
    imortalizaram-se também através de suas obras, contudo, sempre ficou
    patente serem elas pura ficção, sem qualquer elo que as ligue com a vida
    real.

    Produzem um trabalho honesto e honrado aqueles que assim
    procedem, ao contrário daqueles que deturpam os trabalhos assinados por
    eminentes escritores, com o objetivo premeditado de iludir a boa fé do
    próximo.

    E procedimento que, além de criminoso, revela a incapacidade
    intelectual daqueles que precisam se valer de tais meios para alcançar
    seus escusos objetivos.

             Berson, citado por Jean Guitton em “Jesus”, disse que a
    inigualável humildade de Jesus dispensaria a historicidade; entretanto,
    erigiu os Evangelhos como documento indiscutível como prova, o que a
    ciência histórica de hoje rejeita.

    Só depois de muito entrado em anos é
    que se tornaria indiferente para com a pirracenta crença religiosa dos
    seus antepassados, como aconteceu com mentes excepcionalmente cultas,
    tornadas ilustres pelo saber e pelo conhecimento e não apenas pelo
    dinheiro.

             Diante da história, do conhecimento racional e científico
    que presidem aos atos da vida humana, muitos já se convenceram da
    primária e irreal origem do cristianismo, o qual nada mais é do que uma
    síntese do judaísmo com o paganismo e a idolatria greco-romana do século
    I.

             Graças ao trabalho de notáveis mestre de Filosofia e
    Teologia da Escola de Tubíngen, na Alemanha, ficou provado que os
    Evangelhos e mesmo toda a Bíblia não possuem valor histórico, pondo-se
    em dúvida consequentemente tudo quanto a Igreja impôs como verdade sobre
    Jesus Cristo.

    Tudo o que consta dos Evangelhos e do Novo Testamento são
    apenas arranjos, adaptações e ficções, como o próprio Jesus Cristo o
    foi.

             Através da pesquisa histórica e de exames grafotécnicos
    ficou evidenciado que os escritos acima referidos são apócrifos. De
    sorte que, não servindo como documentos autênticos, devem ser rejeitados
    pela ciência.

    Jean Guitton diz que o problema de Jesus varia e acordo
    com o ângulo sob o qual seja examinado: histórico, filosófico ou
    teológico.

             A história exige provas reais, segundo as quais se
    evidenciem os movimentos da pessoa ou do herói no palco da vida humana,
    praticando todos os atos a ela concernentes, em todos os seus altos e
    baixos.

    Pierre Couchoud, igualmente citado por Guitton, sendo médico e
    filósofo, considerou Jesus como tendo sido “a maior existência que já houve, o maior habitante da terra”, entretanto, acrescentou: “não existiu no sentido histórico da palavra: não nasceu. Não sofreu sob Pôncio Pilatos, sendo tudo uma fabulação mítica”.

             A passagem de Jesus pela terra seria o milagre dos
    milagres: “o continente, embora fosse o menor, contivera o conteúdo, que
    era o maior!” A Filosofia quer fatos para examinar e explicar à luz da
    razão, generalizando-o.

    No que se refere à existência de Jesus, é
    patente a impossibilidade de generalização, porquanto, na qualidade de
    mito, como os milhares que o antecederam, sua personalidade é apenas
    fictícia, por conseguinte, nenhum material pode oferecer à Filosofia
    para ser sistematizado, aprofundado ou explicado.

             No tocante à Teologia, cabe-lhe apenas a parte doutrinária
    acerca das coisas divinas. A ela, interessa apenas incutir nas mentes os
    seus princípios, sem, contudo, procurar neles o que possa existir de
    concreto, o que inclusive seria contrário aos interesses materiais,
    daqueles aos quais aproveita a religião.

    Os Enciclopedistas mostraram
    como eram tolos e irracionais os dogmas da Igreja, lembrando ainda que
    ela era um dos mais fortes pilares do feudalismo escravocrata.

             Voltaire mostrou as coincidências entre o Evangelho de João
    e os escritos de Filon, lembrando ter sido ele um filósofo grego de
    ascendência judia, cujo pai, um outro judeu culto, teria sido
    contemporâneo de Jesus, se ele tivesse realmente existido.

    A filosofia
    religiosa de Filon era a mesma do cristianismo, tanto que inicialmente
    foi cogitada sua inclusão entre os fundadores da nova crença. Contudo,
    após exame rigoroso de sua obra, foram encontradas ideias opostas aos
    interesses materiais dos lideres cristãos da época.

             Devemos aos Enciclopedistas, bem como a Voltaire, o
    incentivo para que muitos pensadores futuros pudessem desenvolver um
    trabalho livre, na pesquisa da verdade.

    As convicções de Voltaire são o
    fruto de profundo estudo das obras de Filon. Os racionalistas,
    posteriormente, servindo-se de seus escritos, concluíram que a Igreja
    criou seus dogmas de acordo com a lenda e o mito, impondo-os a ferro e
    fogo.

             Bauer, aplicando os princípios hegelianos na Universidade
    de Tubingen, concluiu que os Evangelhos haviam sido escritos sob a
    influência judia, de acordo com seu gosto.

    Posteriormente, interesses
    materiais e políticos motivaram alterações nos mesmos. Em vista de tais
    interesses é que Pedro, o pregador do cristianismo nascente, que era
    pró-judeu, teve de ser substituído por Paulo, favorável aos romanos. E
    Marcião teria sido o autor dos escritos atribuídos ao inexistente Paulo.


             O mérito da Escola de Tubingen consiste em haver provado
    que os Evangelhos são apócrifos, e assim não servem como documento
    aceitável pela história.

    Levando ao conhecimento do mundo livre que os
    fundamentos do cristianismo são mistificações puras, os mestres da
    referida Escola abalaram os alicerces de uma empresa, que há séculos
    explora a humanidade crente, vendendo o nome de Deus a grosso e a
    varejo.

             Tudo nos leva a crer que, no futuro, o conhecimento
    científico exigirá bases sólidas para todas as coisas, quando então as
    religiões não mais prevalecerão, porquanto, não poderão contribuir para a
    ciência ou para a história, com qualquer argumento sólido e fiel.

             Ademais, não nos parece lógico que o homem atual, o qual já
    atingiu um tão elevado nível de desenvolvimento, o que se verifica em
    todos os setores do conhecimento, tais como científico, tecnológico e
    filosófico, permaneça preso a crenças em deuses inexistentes, em mitos e
    tabus.

             Diz-se que a Bíblia, o livro sagrado dos cristãos, do qual
    se valem eles para provar a existência de seu Deus e Jesus Cristo, seu
    filho unigênito, foi escrito sob a inspiração divina. O Próprio Deus
    tê-lo-ia escrito, através de homens inspirados por ele, claro.

    A
    doutrina cristã ensina que Deus, além de onipotente, é onipresente e
    onisciente. Sendo dotado de tais atributos — onisciência e onipresença
    —, seria de se esperar que Deus, ao ditar aos homens inspirados o que
    deveriam escrever, não se restringisse apenas ao relato das coisas,
    fatos ou lugares então conhecidos pelos homens.

             Sendo onipresente, deveria estar no universo inteiro.
    Conhecê-lo e levá-lo ao conhecimento dos homens, e não apenas limitar-se
    a falar dos povos ou lugares que todos conheciam ou sabiam existir.
    Sendo onisciente, deveria saber de todas s coisas de modo certo,
    correto, exato, e assim inspirar ou ensinar.

             Todavia, aconteceu justamente o contrário. A Bíblia,
    escrita por homens inspirados por Deus onipresente e onisciente, está
    repleta de erros, os mais vulgares e incoerentes, revelando total
    ignorância acerca da verdade e de tudo mais.

             Vejamos apenas um exemplo. Diz a Bíblia que o sol, a lua e
    as estrelas foram criadas em função da terra: para iluminá-la. Seria o
    centro do universo, então, o que é totalmente falso. Hoje, ou melhor, há
    muito tempo, todos sabemos que a terra é apenas um grão de areia
    perdido na imensidão do universo, sendo mesmo uma das menores porções
    que o compõe, inclusive dentro do sistema solar de que faz parte.

             Como teria Josué feito parar o sol, a fim de prolongar o
    dia e ganhar sua batalha contra os canamitas, sem acarretar uma
    catástrofe? Decididamente, quem escreveu tais absurdos, sendo homem,
    sujeito a falhas e erros, é perdoável.

    Entretanto, sendo um Deus
    onipresente e onisciente, ou por sua inspiração, é inconcebível. E mais
    inconcebível ainda é que o homem moderno permaneça escravo desta ou de
    qualquer outra religião.

    Dispondo de modernos meios de difusão e
    divulgação da cultura, o homem não pode ignorar o quanto é falsa a
    doutrina cristã, além de absurda, o mesmo estendendo-se a qualquer outra
    forma de culto ou religião.

    Como entender que sendo Deus onipresente e
    onisciente, não saberia que todos os corpos do universo possuem
    movimento, e que este os mantém dentro de sua órbita, sem atropelos ou
    abalroamento?

             Quando Jeová resolveu disciplinar o comportamento dos
    hebreus, marcou encontro com Moisés, no Monte Sinai, para lhe entregar
    as tábuas da lei.

    Fato idêntico acontecera muito antes, quando Hamurabi
    teria recebido das mãos do deus Schamash a legislação dos babilônios no
    século XVII a.C..

    A mesma foi encontrada em Susa, uma das grandes
    metrópoles do então poderoso império babilônio, encontrando-se
    atualmente guardada no Museu do Louvre, em Paris.

             No que concerne aos Evangelhos, foram escritos em número de
    315, copiando-se sempre uns aos outros. No Concílio de Niceia, tal
    número foi reduzido para 40, e destes foram sorteados os 4 que até hoje
    estão vigorando.

             A. Laterre, entre outros escritores, assinala ter sido o
    Evangelho de Marcos o mais antigo, e haver servido de paradigma para os
    outros, os quais não guardaram sequer fidelidade ao original, dando
    margem a choques e entrechoques de doutrina.

             Após o Evangelho de Marcos, começaram a surgir os demais
    que, alcançando elevado número, foram reduzidos. A escolha não visou os
    melhores, o que seria lógico, mas baseou-se tão-somente no prestigio
    político dos bispos das regiões onde haviam sido compostos.

             A. Laterre patenteou igualmente, em “Jesus e sua doutrina”,
    que a lenda composta pelos fundadores do cristianismo, para ser
    admitida pelos homens como verdade, fora copiada de fontes mitológicas
    muito anteriores ao próprio judaísmo, remontando aos antigos deuses
    hindus, persas ou chineses.

             No século II, quando começou a aparecer a biografia de
    Jesus, havia apenas o interesse político e material em se manter a sua
    santa personalidade idealizada.

    Constantino, no século IV, tendo
    verificado que suas legiões haviam-se tornado reticentes no cumprimento
    de suas ordens contra os cristãos, resolveu mudar de tática e aderir ao
    cristianismo.

    Percebendo que os bispos de Alexandria, Jerusalém, Edessa e
    Roma tinham a força necessária para fazer-lhe oposição, sentiu-se na
    contingência de ceder politicamente, com o objetivo de conseguir
    obediência total e unificar o império.

    De sorte que sua adesão ou
    conversão ao cristianismo não se baseou em uma convicção intima,
    espiritual, porém, resultou de conveniências políticas.

             Embora não crendo na religião cristã, percebeu que a cruz
    dar-lhe-ia a força que lhe faltava para tornar-se o imperador único e
    obedecido cegamente.

    Daí a história do sonho que tivera antes de uma
    batalha, segundo o qual vira a cruz desenhada no céu e estas palavras
    escritas abaixo: “in hoc signo vincis”, com este sinal, vencerás. Não
    era cristão verdadeiro, apenas fingia sê-lo para conseguir os seus
    objetivos.

             Dujardin conta-nos que o cristianismo só surgiu a partir do
    ano 30, graças a um rito em que se via a morte e a ressurreição de
    Jesus, o qual seria uma divindade pré-cristã.

    Nesta seita, os seus
    adeptos denominavam-se apóstolos, significando missionários, os que
    traziam uma mensagem nova. Os apóstolos desse Jesus juravam terem-no
    visto, após sua morte, ressuscitar e ascender ao céu. Entretanto, não
    era este o Jesus dos cristãos.

             O Padre Aífred Loisy, diante do enorme descrédito que o
    mito do cristianismo vinha sofrendo nos meios cultos de Paris, resolveu
    pesquisar-lhe as origens, visando assim desfazer as objeções
    apresentadas de modo seguro e bem fundamentado.

    Buscava a verdade para
    mostrá-la aos demais. Entretanto, ao fazer seus estudos, o Padre Loisy
    constatou que realmente a crítica havia se baseado em fatos
    incontestáveis.

    Por uma questão de honra, não poderia ocultar o
    resultado de suas pesquisas, publicando-o logo em seguida. Sendo tal
    resultado contrário fundamentalmente aos cânones da Igreja, foi expulso
    de sua cátedra de Filosofia, na Universidade de Paris, e excomungado
    pelo Papa, em 1908.

             O Pe. Loisy havia concluído que os documentos nos quais a
    Igreja firmara-se para organizar sua doutrina provieram do ritual
    essênio.

    Jesus Cristo não tivera vida física. Era apenas o
    reaproveitamento da lenda essênia do Crestus, o seu Messias.
    Verificou-se também que as Paulinianas, de origem insegura, haviam sido
    refundidas em vários pontos fundamentais e por diversas vezes, antes de
    serem incluídas definitivamente nos Evangelhos.

    Do mesmo modo chegou à
    conclusão de que os Evangelhos não poderiam servir de base para a
    história, nem para provar a vida de Jesus, dada a sua inautenticidade.

             Por sorte sua, já não mais existia a Santa Inquisição; do
    contrário, o sábio Padre Loisy teria sido queimado vivo. Os documentos
    relativos ao governo de Pilatos, na Judeia;

    Nada relatam a respeito de
    alguém que, se intitulando de Jesus Cristo, o Messias ou o enviado de
    Deus, tenha sido preso, condenado e crucificado com assentimento ou
    mesmo contra sua vontade, conforme narram os evangelhos.

    Não tomou
    conhecimento jamais de que um homem excepcional praticasse coisas
    maravilhosas e sobrenaturais, ressuscitando mortos e curando doentes ao
    simples toque de suas mãos, ou com uma palavra, apenas.

             Se Pôncio Pilatos, cuja existência é real e historicamente
    provável, que estava no centro dos acontecimentos da época como
    governador da Judeia, ignorou completamente a existência tumultuada de
    Jesus, é que de fato ele não existiu.

    Alguém que, pelos atos que lhe são
    atribuídos, chega mesmo ao cúmulo de ser aclamado “Rei dos Judeus” por
    uma multidão exaltada, como ele o foi, não poderia passar despercebido
    pelo governador da região.

             O imperador Tibério, inclusive, jamais soube de tais
    ocorrências na Judeia. Estranho que ninguém o informasse de que um povo,
    que estava sob o seu domínio, aclamava um novo rei. Ilógico. A ele,
    Tibério, é que caberia nomear um rei, governador ou procurador.

             Prosper Alfaric, em L’Ecole de la Raison, assinala as
    invencíveis dificuldades do cristianismo em conciliar a fé com a razão.
    Por isso, a nova crença teve de apoderar-se das lendas e crenças dos
    deuses solares, tais como Osíris, Mitra, Ísis, Átis e Hórus, quando da
    elaboração de sua doutrina.

    Expôs, igualmente, que os documentos
    descobertos em Coumrã, em 1947, eram o elo que faltava para patentear
    que Cristo é o Crestus dos essênios, uma outra seita judia.

             O cristianismo nada mais é, então, do que o sincretismo das
    diversas seitas judias, misturadas às crenças e religiões dos deuses
    solares, por serem as religiões que vinham predominando há séculos.

    A
    palavra “evangelho” em grego significa “boa nova”, já figura na Odisseia
    de Homero, Século XII, a.C.. Foi depois encontrada também numa
    inscrição em Priene, na Jônia, numa frase comemorativa e de endeusamento
    de Augusto, no seu aniversário, significando a “boa nova” no trono.

    E isto ocorreu muito antes de idealizarem Jesus Cristo.

             Conforme já mencionamos anteriormente, no inicio do
    cristianismo, os evangelhos eram em número de 315, sendo posteriormente
    reduzidos para 4, no Concílio de Niceia.

    Tal número indica perfeitamente
    as várias formas de interpretação local das crenças religiosas da orla
    mediterrânea acerca da ideia messiânica lançada pelos sacerdotes judeus.
    Sem dúvida, este fato deve ter levado Irineu a escrever o seguinte:

    “Há
    apenas 4 Evangelhos, nem mais um, nem menos um, e que só pessoas de
    espírito leviano, os ignorantes e os insolentes é que andam falseando a
    verdade”. A verdade da Igreja, dizemos nós.

             Havia, então, os Evangelhos dos naziazenos, dos judeus, dos
    egípcios, dos ebionistas, o de Pedro, o de Barnabé, entre outros, os
    quais foram queimados, restando apenas os 4 sorteados e oficializados no
    Concílio de Niceia.

    Celso, erudito romano, contemporâneo de Irineu,
    entre os anos 170 e 180, disse: “Certos fiéis modificaram o primeiro texto dos Evangelhos, três, quatro e mais vezes, para poder assim subtrai-los às refutações”.

             Foi necessária uma cuidadosa triagem de todos eles, visando
    retirar as divergências mais acentuadas, sendo adotada a de Hesíquies,
    de Alexandria; e de Pânfilo, de Cesaréía e a de Luciano, de Antióquia.

    Mesmo assim, só na de Luciano existem 3500 passagens redigidas
    diferentemente. Disso resulta que, mesmo para os Padres da Igreja, os
    Evangelhos não são fonte segura e original.

             Os Evangelhos que trazem a palavra “segundo”, que em grego é
    “cata”, não vieram diretamente dos pretensos evangelistas. A discutível
    origem dos Evangelhos explica porque os documentos mais antigos não
    fazem referência à vida terrena de Jesus.

    Nos Evangelhos, as
    contradições são encontradas com muita frequência. Em Marcos, por
    exemplo, em 1:1-17: “a linhagem de Jesus vem de Abraão, em 42 gerações”;
    ao passo que em Lucas 2:23-28 lê-se que proviera diretamente de Adão e
    Eva, sendo que de Abraão a Jesus teriam havido 43 gerações.

             Eusébio, comentando o assunto e não sabendo como dirimir a
    questão, disse: “Seja lá o que for, só o Evangelho anuncia a
    verdade”.(?)

    Tais divergências, entretanto, parecem indicar que os
    Evangelhos não se destinavam inicialmente à posteridade, visando
    tão-somente a catequese imediata de povos isolados uns dos outros. Os
    escritos destinados a um povo dificilmente seriam conhecidos dos outros.


             O Evangelho de Mateus teria sido destinado aos judeus,
    arranjado para agradá-los. Por isso, não fala nos vaticínios nem no
    Messias. Por isso ainda é que puseram na boca de Jesus as palavras
    seguintes:

    “Não vim para abolir as leis dos profetas, mas sim para
    cumpri-las”. Tudo indica ter sido feito em Alexandria, porquanto, o
    original em hebraico jamais existiu.

    Baur provou, entretanto, que as
    Epístolas são anteriores aos Evangelhos e o Apocalipse, o mais antigo de
    todos, do ano 68. Todos os escritos do cristianismo desse tempo falam
    apenas no Logos, o Cordeiro Pascoal, imolado desde o princípio dos
    tempos, referindo-se à personalidade ideal de Jesus Cristo.

             Justino, filósofo e apologista cristão, escrevendo em torno
    do ano 150, não emprega a palavra Evangelho nem uma vez. Isto mostra
    que ele, ainda nessa época, ignorava-a, não tendo conhecimento de sua
    existência. Justino ignorava igualmente as paulinianas, Paulo e os Atos
    dos apóstolos, o que prova que foram inventados posteriormente.

             Marcião, no ano de 140, trouxe as Epístolas a Roma, as
    quais não foram inicialmente consideradas merecedoras de fé. Sofreu
    rigorosa triagem, sendo cortada muita coisa que não convinha à Igreja.
    Marcião fora contemporâneo de Justino.

    As Epístolas trazidas por ele
    eram endereçadas aos Romanos, aos Gálatas e aos Coríntios. Apresentavam
    Jesus como um Deus encarnado.

    Teria nascido de uma mulher e sofrera o
    martírio para resgatar os pecados da humanidade, isto é, dos ocidentais,
    porque os orientais não tomaram conhecimento da personalidade de Jesus,
    seus milagres e sua pregação e do seu romance religioso.

             Engels constatou que as Epístolas são 60 anos mais novas do
    que o Apocalipse. E, ainda, os cristãos contrários ao bispo de Roma
    rejeitaram-nas durante séculos.

    Foi o que se deu com os ebionitas e os
    severianos, conforme Eusébio escreveu e Justino confirmou. O Apocalipse
    fala em um cordeiro com sete cornos e sete olhos, o qual foi imolado
    desde a fundação do mundo (13-8. O Apocalipse foi composto apenas em
    68, sendo o mais antigo de todos os escritos cristãos.

             Lutero e Swinglio disseram que o Apocalipse foi incluído
    nos Evangelhos por engano, tendo a Igreja de inventar, por isso, a ordem
    cronológica dos seus livros.

    Hoje se pode provar que o Apocalipse
    surgiu entre os anos 68 e 70; os Evangelhos, no século II, e os Atos dos
    Apóstolos são os mais recentes de todos.

    Eusébio em sua “História
    Eclesiástica”, 4-23, diz: “Compus as Epistolas conforme a vontade do
    irmão: mas os ‘apóstolos do diabo’ tacharam-nas de inverídicas
    contando-lhes certas coisas e acrescentando outras
    ”.

             Irineu, ao mesmo tempo, ordenava ao copista: “Confronta
    toda cópia com este original utilizado por ti, e corrige-a
    cuidadosamente”.

    Não te esqueças de reproduzir em tua cópia o pedido que
    te faço. Essas citações servem para medirmos que tipo de santidade
    havia entre os bispos e seus calígrafos, na arte eusebiana de eméritos
    falsificadores de documentos importantes.

             Com isto, deram autenticidade a todas as invencionices do
    cristianismo e legitimaram sua liderança na posse material do que
    pertencia aos outros.

    Irineu ainda registrou o seguinte: “Ouvi dizer que
    não acreditam esteja isto nos Evangelhos, se não se encontrar nos
    arquivos”. Ao que Eusébio respondera: “É preciso demonstrá-lo”.

             Uma excelente prova da existência de Jesus seria uma
    comunicação feita por Pilatos a seu respeito. Entretanto, tal documento
    não existe.

    Justino, instado pelos falsificadores, referiu-se a Jesus,
    contudo, dada a sua honradez pessoal, no caso do seu escrito ser
    autêntico, fê-lo de modo inseguro e hesitante. Tertuliano, que é mais
    seguro do que ele, afirmou que esse valioso documento deverá ser
    encontrado nos arquivos imperiais.

    Contudo, a Igreja apesar de haver se
    apoderado de Roma a partir do século IV, não teve a coragem de
    apresentar essa indispensável joia documentária, a qual de certo seria
    refutada pela ciência e pelo conhecimento.

             Mesmo assim, a partir do século IV, essa prova espúria foi
    produzida; contudo, a Igreja não teve a petulância de submetê-la à
    grafotécnica.

    Daniel Rops, embora fosse um apaixonado cristão,
    reconheceu a veracidade dessa falsificação dizendo que: “a que
    arranjaram era uma carta enviada a Cláudio, que reinou de 41 a 44, e não
    a Tibério, sob cujo governo Pilatos fora Procurador da Judeia”.

             No Apocalipse João, escreveu: “Se alguém acrescentar alguma
    coisa nisto, Deus castigará com as penas descritas neste livro; se
    alguém cortar qualquer coisa, Deus cortará sua parte na árvore da vida e
    na cidade santa descrita neste livro”.

    Ai está mais uma prova de como
    as falsificações eram usuais na fase da Igreja nascente. O mais
    interessante é essa gente falar em Deus, como se fosse coisa cuja
    existência já tivesse sido provada, não se justificando mais que o
    conhecimento e a razão estudassem as bases dessa existência.

             Os padres mostravam-se estar de tal modo familiarizados com
    Deus e sua vontade que por isso achavam certo e justo julgar e queimar
    vivos a todos os que deles discordassem.

    Entretanto, embora dessem a
    impressão de estar em contato com Deus, usavam de processos criminosos,
    dos quais todos os ociosos usam para sacar contra o seu meio social.
    Assim é que hoje se pode provar que o cristianismo foi construído sobre
    um terreno atapetado de mentiras, falsificações e mistificações.

             O Novo Testamento atualmente oficializado é cópia de um
    texto grego do século IV. É exatamente o sinótico descoberto em 1859, em
    um convento do Monte Sinai, onde vem informada a origem grega.

    Os
    originais do mesmo estão guardados nos museus do Vaticano e de Londres.
    Foram publicados com as devidas corrigendas, feitas por Hesíquios, de
    Alexandria.

             Um papiro encontrado no Egito, em 1931, apresenta-nos uma
    ordem cronológica totalmente diferente da oficializada pela Igreja.
    Atualmente, as fontes testamentárias aceitáveis são as do século II em
    diante, provindas de Justino, Taciano, Atenágoras, Irineu e outros, os
    quais são considerados os verdadeiros criadores do cristianismo.

             Taciano foi o “bem amado” discípulo de Justino. Ele,
    entretanto, omite a genealogia de Jesus, dizendo apenas que ele
    descendia de reis judeus, de modo muito vago, divergindo assim da
    orientação oficializada. Irineu foi que sistematizou o cristianismo.

    Foi
    ele a fonte em que Eusébio inspirou-se. Por isso é que daí em diante
    seria obrigatória a confrontação entre os dois textos.

    O bispo de
    Cesareia fora encarregado pelo todo poderoso bispo de Roma de falsificar
    tudo quanto prejudicasse os interesses materiais da Igreja de então. De
    modo que, por onde passou a mão de Eusébio, foi tudo conspurcado
    criminosamente contra a verdade.

             Eusébio foi realmente um bispo que cria apaixonadamente na
    divindade de Jesus Cristo, contudo, já conhecia o poder que possuía o
    bispo de Roma. Graças a Eusébio e outros iguais a ele, tornou-se uma
    temeridade descrer-se na verdade oficializada pela Igreja.

    Após tantas
    falsificações, todos ficaram realmente inseguros quanto à verdadeira
    origem do cristianismo, tal a tumultuação impressa por Eusébio.

             Tertuliano e Clemente de Alexandria lutaram um pouco para
    sanar essas fontes, anulando boa parte do que restara das criminosas
    unhas de Eusébio. Jacob Buckhardt, examinando essa documentação,
    concluiu que o Novo Testamento merece confiança.

             Em Coumrã, em 1947, como á vimos, foram encontrados
    documentos com escrita em hebraico e não em grego, falando em Crestus
    não em Cristo.

    Ali, Habacuc refere-se à perseguição sofrida por essa
    seita judia, assim como a morte de Crestus, igualmente traído por Judas,
    um sacerdote dissidente.

    A Igreja, ao ter conhecimento da existência de
    tais documentos, pretendeu informar que Crestus era o Cristo de sua
    criação, contudo, verificou-se que eles datavam de pelo menos um século
    antes do lançamento do romance do Gólgota.

    Além disso, continham
    revelações contrárias aos interesses da Igreja. Eles relatam as lutas de
    morte em que viviam as diversas seitas do judaísmo.

             A Didaquê não pôde entrar nos Evangelhos, devendo silenciar
    completamente a respeito da pretensa passagem de Jesus pela terra.

    De
    qualquer forma, a lenda que existia em torno no nome de Crestus foi
    aproveitada na época porque, sendo uma seita comunista, suas pregações
    iriam servir para atrair ao cristianismo a atenção dos escravos, em luta
    contra os seus senhores, a eterna luta do pobre contra o rico.

             Escavações feitas em Jerusalém desenterraram velhos
    cemitérios, onde foram encontradas muitas cruzes do século I e mesmo
    anteriores.

    Todavia, apesar de já ser usada nessa época, só a partir do
    século IV é que a Igreja iria oficializá-la como seu emblema.
    Levantamentos arqueológicos posteriores provariam que a cruz já era um
    piedoso emblema usado desde há milênios.

             Orígenes, polemizando contra Celso, um dos mais cultos
    escritores romanos de seu tempo, e que mais combateram as bases falsas
    da Igreja e de Jesus Cristo, acusa Flávio Josefo por não haver admitido a
    existência de Jesus.

    Flávio não poderia referir-se a Jesus nem ao
    cristianismo porque ambos foram arranjados depois de sua morte. Assim,
    os livros de Flávio que falam de Jesus foram compostos, ou melhor,
    falsificados muito tempo após sua morte, no decorrer do século III,
    conforme as conclusões alcançadas pelos mestres da Escola de Tubingen.

             Sêneca, que foi preceptor de Nero, suicidando-se para não
    ser assassinado por ele, já pensava mais ou menos como os cristãos.

    Do
    que se conclui que as ideias de que se serviu o cristianismo para se
    fundamentar são emprestadas das lendas que giravam em torno de outros
    Cristos Messias, assim como de outros cultos. Nada tendo, portanto, de
    original. Sêneca acreditava em um Deus único e imaterializável.

             Por tudo isso, vemos que os líderes do cristianismo nada
    mais fizeram do que se apropriar das ideias já existentes. Apenas
    tiveram o cuidado de promover as modificações necessárias, com vistas a
    melhor consecução dos seus objetivos materiais.

    Sêneca, embora não
    fazendo em seus escritos qualquer alusão à existência de Jesus Cristo,
    teve muitos de seus escritos aproveitados pelo cristianismo nascente.

             Em Tácito, escritor do século II, encontram-se referências a
    respeito de Jesus e seus adeptos. Contudo, exames grafotécnicos
    demonstraram que tais referências são falsas, e resultam de visível
    adulteração dos seus escritos.

    Suetônio, que existiu quando Jesus teria
    vivido, escreveu a “História dos Doze Césares”, relatando os fatos de
    seu tempo. Referindo-se aos judeus e sua religião, apenas falou em
    “distúrbios de judeus exaltados em torno de Crestus”.

    Por aí se vê que
    ele não se referia aos cristãos, porquanto, eles sempre se mostraram
    humildes e obedientes à ordem constituída, evidentemente a fim de
    passar, tanto quanto possível, despercebidos. Desse modo, iriam
    solapando o poder imperial, manhosamente, como realmente aconteceu.

             Suetônio escreveu ainda que haviam supliciado alguns
    cristãos que eram gente que se dedicava demasiado a tolas superstições,
    orientadas por uma ideia malfazeja.

    Disse mais que Nero tivera de mandar
    expulsar os judeus de Roma, porque eles estavam sempre se sublevando,
    instigados por Crestus. Os cristãos estavam sempre organizados de modo a
    atrair aos escravos, sem, contudo, desagradar às autoridades.

    Assim
    sendo, jamais provocariam tumultos. Os cristãos aos quais Suetônio
    refere-se poderiam ser os zilotas, os essênios ou os terapeutas, mas
    nunca os cristãos de Jesus Cristo, porquanto, conforme já dissemos
    acima, os cristãos eram ensinados a não provocar desordens.

             Plínio, o Jovem, viveu entre os anos 62 e 113, tendo sido
    subpretor da Bitínia. Na carta enviada ao imperador, perguntava como
    agir em relação aos cristãos, ao que Trajano teria respondido que agisse
    apenas contra os que não renegassem à nova fé.

    Entretanto, não ficou
    evidenciado a quais cristãos, exatamente, eram feitas as referências: se
    aos crestãos ou aos cristãos.

    De qualquer forma, a carta em questão,
    após ser submetida a exames grafotécnicos e métodos rádio-carbônicos,
    revelou haver sido falsificada.

             Justiniano, Imperador romano, mandou queimar os escritos de
    Porfírio, através de um edito, em 448, alegando que: “impelido pela
    loucura, escrevera contra a santa fé cristã”.

             Vespasiano, ao morrer, disse: “Que desgraça! Acreditei que
    me havia tornado um deus imortal!”. Suas palavras justificam-se pela
    credulidade supersticiosa.

    Partindo do preceito ensinado pelos judeus,
    aliás, um falso preceito, de que Cristo havia subido ao céu com corpo e
    alma, não seria de estranhar que os imperadores pretendessem tornar-se
    deuses, a fim de escapar ao inapelável destino dos que nascem: a morte.

             Calígula, por isso, fizera-se coroar como Deus-Sol, o Sol
    Invictus, o Helius. Nessa época o Império romano, embora em declínio,
    ainda dominava uma porção de províncias afastadas de Roma.

    O homem
    espoliado pela força bruta, unificada em torno das regiões, sentindo não
    ser possível contar com a justiça humana, passa a esperar pela justiça
    dos deuses. Mas, mesmo assim, teriam de apelar para os deuses dos pobres
    e não dos ricos, privilegiados e poderosos.

             Conta a lenda que Osíris, o deus solar dos egípcios, foi
    morto por seu irmão Seth, o qual dividiu o corpo em 14 pedaços e os
    espalhou pelo mundo afora. Ísis, sua esposa e irmã, saiu em busca dos
    pedaços, levando seu filho Hórus ao colo.

    Todos os anos o povo fazia a
    festa de Ísis, relembrando o acontecimento. Havendo conseguido juntar
    todas a partes do corpo, Osíris ressuscitou, passando a ser incensado
    como o deus da morte e da sombra. Fora uma ressurreição conseguida pelo
    amor da esposa.

    Ísis separou a terra do céu, traçou a órbita dos astros,
    criou a navegação e destruiu todos os tiranos. Comandava os rios, as
    vagas e os ventos. Seu culto assemelhava-se muito ao de Astartê, de
    Adônis e de Átis, religiões muito aparentadas entre si, dominando toda a
    orla do Mediterrâneo.

    Seu culto era uma reminiscência do culto de
    Tamus, um deus babilônio, cuja doutrina ensinava que os deuses nasciam e
    renasciam, ressuscitando-se.

             O judaísmo e, mais tarde, o cristianismo, beberam dessas
    fontes grande parte da sua liturgia. No cristianismo, encontramos Ísis
    representada pela Virgem Maria e Hórus transformado em Jesus Cristo.

    Maria e Jesus, fugindo de Herodes e indo para o Egito, é a mesma lenda
    de Ísis e Hórus, fugindo de Seth.

             O Deus-Homem que morria e ressuscitava já era uma velha
    “crença religiosa” naqueles tempos. O cristianismo apenas deu novos
    nomes e novas roupagens aos deuses de velhas crenças.

    A revelação de
    Deus aos homens é outra lenda cuja origem perde-se na noite dos tempos.
    Muitos séculos antes do surgimento do judaísmo, Zoroastro ou Zaratrusta
    havia criado uma religião, segundo a qual havia uma eterna luta entre o
    bem e o mal.

    Aura Mazzda ou Ormuzd, o deus do fogo e da luz,
    representava o bem em luta contra Angra Maniú ou Iarina, o deus das
    trevas. Nessa luta, Ormuzd foi auxiliado por seu filho Mitra, o espírito
    do bem e da justiça, mediador entre Ormuzd e os homens.

    Ormuzd mandou
    seu filho à terra, o qual nasceu de uma virgem pura e bela, que o
    concebeu através de um raio de sol. Morreu e ressuscitou em seguida.

             Essa religião foi levada para Sicília pelos marinheiros persas, nos últimos séculos da era passada.

             Inventando o cristianismo, os judeus nada mais fizeram do
    que sincretizar o judaísmo ortodoxo com a religião de Mitra, sem
    esquecer de Osíris e Átis, cujas religiões eram também muito aceitas em
    Roma e Alexandria.

    Vestígios do mitraísmo foram encontrados em
    escavações recentes, feitas em Óstia, os quais datam do século I. O
    mitraísmo era praticado em catacumbas, em grutas e em subterrâneos.

    O
    cristianismo copiou-lhe a prática. Daí porque disseram ter Jesus nascido
    em uma gruta e, nos primeiros tempos, o cristianismo foi praticado em
    catacumbas.

             Assim sendo, os cristãos foram para as catacumbas, não
    fugindo das autoridades imperiais, mas tão-somente para observar o
    ritual mitraico.

    Os mitraicos também davam seus banquetes subterrâneos,
    eram os banquetes pessoais, comuns nos ritos solares e no judaísmo. Em
    ambos, havia o rito do pão e do vinho.

             Mitra, o Sol Invictos, era festejado em dezembro, como
    Jesus. Outras aproximações entre o culto de Mitra e o de Jesus, no
    cristianismo: o uso da cruz do Sol Radiante, a cruz do Sol Invictus a
    qual expandia raios;

    O uso da pia batismal com a água benta, as
    refeições comunais, a destinação do domingo para o descanso em homenagem
    ao Senhor; a águia e o touro do ritual mitraico foram tomados para
    símbolos dos evangelistas Marcos e Lucas.

    Antigos quadros e painéis
    trazem a figura dos evangelistas com a cabeça desses animais.

             Do judaísmo, copiaram a crença da imortalidade da alma, a
    vida no além, o Inferno, o diabo, a ressurreição, o dia do juízo;
    práticas e crenças igualmente existentes no mitraísmo.

    Graças a esses
    espertos arranjos, durante muito tempo, o crente frequentou
    indiferentemente o templo cristão, de Mitra ou de Ísis, crendo estar na
    Igreja antiga, onde iam consultar o oráculo.

             Por isso, Teofilo, em Alexandria, mandou construir um
    templo cristão ao lado de um templo de Ísis, onde se anunciava o oráculo
    quando as profecias vinham de uma revelação astral, mediante a
    camuflagem das vozes de antigos bispos ali enterrados.

    Uma das coisas
    que favoreceram o cristianismo foi a abolição do sacrifício sangrento.
    Muitos correram a abraçar a nova crença para escapar da morte em um
    desses atos propiciatórios.

             Spinoza e Hobbes, no século XVIII, mostraram que o
    Pentateuco foi composto no século II a.C. graças ao que o sacerdote
    judeu havia aprendido no cativeiro babilônio, fato que aconteceu no
    século IV a.C.

    Em seguida, mostraram uma série de contradições quanto à
    cronologia. Em uma das fontes, apresentam Adão e Eva como tendo sido
    criados ao mesmo tempo, enquanto em outra informam que ela havia sido
    feita de uma costela de Adão.

    Em uma, o homem aparece antes dos outros animais, na outra os animais surgem primeiro.

             Levantamentos arqueológicos do começo do século XX, levados
    a efeito nos subsolos da Babilônia, provaram que o Deuteronômio
    resultou, em grande parte, do que os sacerdotes judeus haviam copiado da
    legislação religiosa, civil e criminal de Hamurabi, a qual por sua vez
    resultara do que se sabia da civilização acádia, e que naqueles tempos
    já era vetusta.

    Isaías, ao profetizar acerca de diversos reis de várias
    épocas, mostra que seu nome foi inventado séculos depois dos fatos
    haverem ocorrido. Um desses reis foi Dano, rei persa que governou em 538
    a.C., quando libertou os judeus do cativeiro.

             Herodes morreu no ano IV a.C., foi responsabilizado pela
    matança dos inocentes, para compor o controvertido romance da fuga para o
    Egito. Tudo o que até agora temos relatado constitui provas evidentes
    de que a Bíblia não tem a antiguidade nem a veracidade que lhe pretendem
    imprimir.

    Os zilotas que seguiam a linha comunista dos essênios
    combatiam tanto os judeus ricos como a ocupação romana. Os essênios, ao
    professar, faziam votos de pobreza, quando juravam nada contar da seita
    para os estranhos e nada ocultar dos companheiros.

    Era um dos ramos do
    judaísmo em que não mais se oferecia sacrifício sangrento, o que foi
    copiado pelo cristianismo.

             Os Evangelhos foram compostos para enquadrar Jesus no que
    está previsto no versículo 17 do salmo 22. De modo que Jesus não passou
    de um ator arranjado para representar o drama do Gólgota.

    Cumpriu as
    Escritas como ator e não como sujeito de uma vida real. Reimarus,
    filósofo alemão que morreu em 1768, estudou a fundo a história de Jesus.
    Chegou a conclusões irrefutáveis, que assombraram a Igreja muito mais
    do que Copérnico ou Darwin.

    Disse que, se Jesus tivesse mesmo existido,
    seria, quando muito, um político ambicioso que fracassara completamente
    em suas conspirações contra o governo.

             Emmanuel Kant foi o primeiro filósofo que conseguiu
    racional e inteligentemente expulsar Jesus da história humana, através
    de uma impressionante e profunda exegese do herói do cristianismo.

    Volney, em “As Rumas de Palmira”, após regressar de uma longa viagem de
    pesquisas sobre Antiguidade clássica pelo Oriente Médio, elaborou o
    trabalho acima referido, no qual nega a existência física de Jesus
    Cristo.

             Arthur Drews igualmente viveu muitos anos na Palestina
    dedicando-se ao estudo de sua história antiga; concluiu que Jesus Cristo
    jamais foi um acontecimento palestino.

    Examinou todos os lugares pelos
    quais os evangelistas pretenderam tivesse Jesus passado. Constatou,
    então, que o cristianismo foi totalmente estruturado em mitos;
    entretanto, organizado de modo a assumir o aspecto de verdade
    incontestável, a ser imposta pela Igreja.

    Todavia, para sorte nossa,
    homens estudiosos e inteligentes contestam as falsas verdades elaboradas
    pelo cristianismo, com argumentos irretorquíveis.

             Dupuis disse que, aqueles que fizeram de Jesus um homem,
    conseguiram enganar tanto quanto os que o transformaram em um deus. Em
    suas observações, deixa patente que o romance de Jesus nada mais é do
    que a repetição das velhas lendas dos deuses solares.

    Vejamos suas
    palavras: “Quando tivermos feito ver que a pretensa história de um deus
    que nasceu de uma virgem, no solstício do inverno, depois de haver
    descido aos infernos, de um deus que arrasta consigo um cortejo de doze
    apóstolos, — os doze signos solares — cujo chefe tem todos os atributos
    de Jano, um deus vencedor do deus das trevas;

    Que faz transitar o homem
    império da luz e que repara os males da natureza, não passa de uma
    fábula solar… ser-lhe-á pouco menos indiferente examinar se houve algum
    príncipe chamado Hércules, visto haver-se provado que o ser consagrado
    por um culto!

    Sob o nome de Jesus Cristo, é o Sol, e que o maravilhoso
    da lenda ou do poema tem por objeto este astro, então parecerá que os
    cristãos tem a mesma religião que os índios do Peru, a quem os primeiros
    fizeram degolar”.

             Albert Kalthoft diz que Jesus personifica o movimento
    sócio-econômico que no século I sublevava o escravo, o pobre e o
    proletário.

    O seu messianismo foi espertamente aproveitado pelos líderes
    dos judeus da diáspora, aqueles que exploravam a desgraça do judeu
    pobre em benefício próprio.

    Acrescenta que a divergência que existe
    entre os quatro evangelistas resulta das várias tendências daquele
    movimento social revolucionário nascido em Roma, do qual a versão
    palestina é apenas o reflexo.

             Salonmon Reinach, em “Orheus”, salienta o completo silêncio
    dos autores contemporâneos de Jesus Cristo acerca de sua pretensa
    existência.

    Tal silêncio verifica-se tanto entre os escritores judeus
    como entre os não judeus. Examina em profundidade as “Acta Pilati” e
    constata que os acontecimentos que o cristianismo situou em seu governo
    não foram do que ressuscitou no equinócio da primavera, de seu
    conhecimento, e assim sendo Pilatos jamais soube qualquer coisa a
    respeito de Jesus Cristo.

             Pierre Louis Couchoud afirma que a existência real de Jesus
    é indemonstrável, do ponto de vista histórico. E acrescenta que as
    referências feitas por Flávio Josefo a Jesus não passam de falsificação
    de textos, sobejamente provada hoje pelos peritos da crítica histórica.

    Os maiores movimentos históricos tiveram como origem os mitos, cujo
    papel social é dar forma aos anseios inconscientes do povo. Compara,
    inclusive, a lenda de Jesus com a de Guilherme Tell, na Suíça.

    Todos
    sabem tratar-se de uma lenda nacional, todavia, Guilherme Tell é ali
    reverenciado como herói verdadeiro e real. Seu nome promove a união
    política dos cantões, embora falem línguas diferentes.

             É possível que o mesmo aconteça em relação a Jesus e o
    cristianismo. Estando em jogo interesses de ordem social, política e,
    sobretudo, econômica, os líderes cristãos preferem deixar o mito de pé,
    pois enquanto houver cristãos, sua profissão estará garantida e os
    lucros continuarão sendo por eles auferidos.

             O que se faz necessário é que o povo seja esclarecido
    acerca dos assuntos de crenças e religiões nos termos da verdade, da
    razão e da lógica, a fim de que, se libertando dos velhos preconceitos e
    tabus, possa enfim ver o mundo e as coisas em sua realidade objetiva.

             E não ignoramos qual a realidade objetiva que predomina no
    cristianismo: é a exploração dos menos aquinhoados intelectual e
    economicamente.

    Quem mais contribui para as campanhas da Igreja são
    aqueles que menos possuem, cuja mente encontra-se obstruída pelas ideias
    e crenças religiosas. Sua pobreza material alia-se à pobreza
    intelectual.

             Uma boa dose de conhecimentos científicos é certamente a
    melhor maneira de remover os obstáculos à libertação do homem, criados
    pelos lideres religiosos, em suas pregações. Entretanto, sabemos que nem
    sempre é possível a aquisição de tais conhecimentos.

    Muitos são os
    fatores que se interpõem entre o homem pobre, o operário, o trabalhador,
    e a cultura. Um desses fatores, por sinal, muito ponderável, é o
    econômico-financeiro.

    Como fazer para ir à escola, comprar livros, etc,
    se tem que trabalhar duro pela vida, e o que ganha mal dá para
    sobreviver?

             Bem poucos são os que conseguem reunir os conhecimentos
    necessários que lhe permitam enxergar mais longe e romper as invisíveis
    cadeias que os prendem aos dogmas e preconceitos ultrapassados pela
    razão e pela ciência.

             O mais cômodo para aqueles deserdados será esperar a
    recompensa das agruras da vida no céu, após a morte. Afinal de contas,
    os padres e os pastores estão aí para isto: vender Deus e o céu a grosso
    e no varejo.

             Tobias Barreto escreveu estes inolvidáveis versos:

             “Se é sempre o mesmo engodo;
             Se o homem chora e continua escravo;
             Do quê foi que Jesus veio salvar-nos?

    Poderá alguém responder a tal interrogação satisfatoriamente? Provavelmente não.

             É possível que, movido pela mesma razão, Proudhon tenha escrito: “Os que me falam em religião querem o meu dinheiro ou a minha liberdade”.

    Desta forma, em poucas palavras, ficou bem claro o sentido e o objetivo
    da religião: subtrair ao indivíduo a sua liberdade de pensamento e de
    ação, e, com ela, o seu dinheiro.

    Continua.


    Última edição por Gideão da CCB Livre em Sex Fev 07, 2014 5:32 pm, editado 2 vez(es)
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    Re: Testemunho de Flávio Josefo Sobre o falso Cristo!

    Mensagem por Fco Oliveira em Seg Nov 21, 2011 7:35 pm





    III As Falsificações




    Vimos, assim, que os únicos autores que poderiam ter escrito a
    respeito de Jesus Cristo, e como tal foram apresentados pela Igreja,
    foram Flávio Josefo, Tácito Suetonio e Plínio. Invocando o testamento de
    tais escritores, pretendeu a Igreja provar que Jesus Cristo teve
    existência física, e incutir como verdade na mente dos povos todo o
    romance que gira em torno da personalidade fictícia de Jesus.



    Contudo, a ciência histórica, através de métodos modernos
    de pesquisa, demonstra hoje que os autores em questão foram falsificados
    em seus escritos. Estão evidenciadas súbitas mudanças de assunto para
    intercalações feitas posteriormente por terceiros. Após a prática da
    fraude, o regresso ao assunto originalmente abordado pelo autor.



    Tomemos, primeiramente, Flávio Josefo como exemplo. Ele
    escreveu a história dos acontecimentos judeus na época em que
    pretensamente Jesus teria existido. Os falsificadores aproveitaram-se
    então de seus escritos e acrescentaram: “Naquele tempo nasceu Jesus,
    homem sábio, se é que se pode chamar homem, realizando coisas admiráveis
    e ensinando a todos os que quisessem inspirar-se na verdade. Não foi só
    seguido por muitos hebreus, como por alguns gregos. Era o Cristo. Sendo
    acusado por nossos chefes do nosso país ante Pilatos, este o fez
    sacrificar. Seus seguidores não o abandonaram nem mesmo após sua morte.
    Vivo e ressuscitado, reapareceu ao terceiro dia após sua morte, como o
    haviam predito os santos profetas, quando realiza outras mil coisas
    milagrosas. A sociedade cristã, que ainda hoje subsiste, tomou dele o
    nome que usa”.



    Depois deste trecho, passa a expor um assunto bem diferente
    no qual refere-se a castigos militares infligidos ao populacho de
    Jerusalém. Mais adiante, fala de alguém que conseguira seus intentos
    junto a uma certa dama fazendo-se passar como sendo a humanização do
    deus Anubis, graças aos ardis dos sacerdotes de Ísis. As palavras a
    Flávio atribuídas são as de um apaixonado cristão. Flávio jamais
    escreveria tais palavras, porquanto, além de ser um judeu convicto, era
    um homem culto e dotado de uma inteligência excepcional.



    O próprio Padre Gillet reconheceu em seus escritos ter
    havido falsificações nos textos de Flávio, afirmando ser inacreditável
    que ele seja o autor das citações que lhe foram imputadas. Além disso,
    as polêmicas de Justino, Tertuliano, Orígenes e Cipriano contra os
    judeus e os pagãos demonstram que Flávio não escreveu nem uma só palavra
    a respeito de Jesus. Estranhando o seu silêncio, classificaram-no de
    partidário e faccioso. No entanto, um escritor com o seu mérito
    escreveria livros inteiros acerca de Jesus, e não apenas um trecho.
    Bastaria, para isto, que o fato realmente tivesse acontecido. Seu
    silêncio, no caso, é mais eloquente do que as próprias palavras.



    Exibindo os escritos de Flávio, Fócio afirmava que nenhum
    judeu contemporâneo de Jesus ocupara-se dele. A luta de Fócio, que viveu
    entre os anos de 820 a 895, e foi patriarca de Constantinopla, teve
    ensejo justamente por achar desnecessário a Igreja lançar mãos de meios
    escusos para provar a existência de Jesus. Disse que bastaria um
    exemplar autêntico não adulterado pela Igreja e fora do seu alcance para
    por em evidência as fraudes praticadas com o objetivo de dominar de
    qualquer forma. Embora crendo em Jesus Cristo, combateu vivamente os
    meios sub-reptícios empregados pelos Papas, razão porque foi destituído
    do patriarcado bizantino e excomungado. De suas 280 obras, apenas restou
    o “Myriobiblion”, tendo o resto sido consumido, provavelmente por ordem
    do Papa.



    Tácito escreveu: “Nero, sem armar grande ruído, submeteu a
    processos e a penas extraordinárias aos que o vulgo chamava de cristãos,
    por causa do ódio que sentiam por suas atrapalhadas. O autor fora
    Cristo, a quem, no reinado de Tibério, Pôncio Pilatos supliciara. Apenas
    reprimida essa perniciosa superstição, fez novamente das suas, não só
    na Judeia, de onde proviera todo o mal, senão na própria Roma, para onde
    de confluíram de todos os pontos os sectários, fazendo coisas as mais
    audazes e vergonhosas. Pela confissão dos presos e pelo juízo popular,
    viu-se tratar-se de incendiários professando um ódio mortal ao Gênero
    humano”.



    Conhecendo muito bem o grego e o latim, Tácito não
    confundiria referências feitas aos seguidores de Cristo com os de
    Crestus. As incoerências observadas nessa intercalação demonstram não se
    tratar dos cristãos de Cristo, nem a ele se referir. Lendo-se o livro
    em questão, percebe-se perfeitamente o momento da interpelação. Afirmar
    que fora Cristo o instigador dos arruaceiros é uma calúnia contra o
    próprio Cristo. E conforme já referimos anteriormente, os cristãos
    seguidores de Cristo eram muito pacatos e não procuravam despertar
    atenção das autoridades para si. Como dizer em um dado momento que eles
    eram retraídos e, em seguida, envolvê-los em brigas e coisas piores? É
    apenas mais uma das contradições de que está repleta a história da
    Igreja.



    Ganeval afirma que foram expulsos de Roma os hebreus e os
    egípcios, por seguirem a mesma superstição. Deduz-se então que não se
    referia aos cristãos, seguidores de Jesus Cristo. Referia-se aos
    Essênios, seguidores de Crestus, vindos de Alexandria. A Igreja não
    conseguiu por as mãos nos livros de Ganeval, o que contribuiu
    ponderavelmente para lançar uma luz sobre a verdade. Por intermédio de
    seus escritos, surgiu a possibilidade de provar-se a quais cristãos,
    exatamente, referia-se Tácito.



    Suetônio teria sido mais breve em seu comentário a respeito
    do assunto. Escreveu que “Roma expulsou os judeus instigados por
    Crestus, porque promoviam tumultos”. É evidente, também, a falsificação
    praticada em uma carta de Plínio a Trajano, quando perguntava o que
    fazer aos cristãos, assunto já abordado anteriormente. O referido texto,
    após competente exame grafotécnico, revelou-se adulterado. É como se
    Plínio quisesse demonstrar, não apenas a existência histórica de Jesus,
    mas sua divindade, simbolizando a adoração dos cristãos. É o quanto
    basta para evidenciar a fraude.



    Se Jesus Cristo realmente tivesse existido, a Igreja não
    teria necessidade de falsificar os escritos desses escritores e
    historiadores. Haveria, certamente, farta e autêntica documentação a seu
    respeito, detalhando sua vida, suas obras, seus ensinamentos e sua
    morte. Aqueles que o omitiram, se tivesse de fato existido, teriam
    falado dele abundantemente. Os mínimos detalhes de sua maravilhosa vida
    seriam objeto de vasta explanação. Entretanto, em documentos históricos
    não se encontram referências dignas de crédito, autênticas e aceitáveis
    pela história. Em tais documentos, tudo o que fala de Jesus e sua vida é
    produto da má-fé, da burla, de adulterações e intercalações
    determinadas pelos líderes cristãos. Tudo foi feito de modo a ocultar a
    verdade. Quando a verdade esta ausente ou oculta, a mentira prevalece. E
    há um provérbio popular que diz: “A mentira tem pernas curtas”.
    Significa que ela não vai muito longe, sem que não seja apanhada. Em
    relação ao cristianismo, isto já aconteceu. Um número crescente de
    pessoas vai, a cada dia que passa, tomando conhecimento da verdade. E,
    assim, restam baldados os esforços da Igreja, no que concerne aos ardis
    empregados na camuflagem da verdade, visando alcançar escusos objetivos.






    IV O Doloroso Silêncio Histórico




    A existência de Jesus Cristo é um fato jamais registrado pela
    história. Os documentos históricos que o mencionam foram falsificados
    por ordem da Igreja, num esforço para provar sua pretensa existência,
    apesar de possuir provas de que Jesus é um mito. E assim agiu, movida
    pelo desejo de resguardar interesses materiais. Ganeval apontou a
    semelhança entre o culto de Jesus Cristo e o de Serapis. Ambos são uma
    reencarnação do deus “Phalus”, que, por sua vez, era uma das formas de
    representação do deus Sol.



    Irineu chegou a afirmar que o deus dos cristãos não era
    homem nem mulher. Papias cita trechos dos Evangelhos, mostrando que se
    referiam ao Cristo egípcio. Referindo-se ao “logos”, que seria Jesus
    Cristo, disse ter sido ele apenas uma emanação de Deus, produzida à
    semelhança do Sol. É bom lembrar que essas opiniões divergentes entre si
    são de três teólogos do cristianismo. Essas opiniões foram emitidas
    quando estava acesa a luta de desmentidos recíprocos da Igreja contra os
    seus numerosos opositores, ou seja, os que desmentiam a existência
    física de Jesus. Então, criaram uma filosofia abstrata, baseando-se nos
    escritos de Filon.



    Ganeval, baseando-se em Fócio, disse que Eudosino, Agápio,
    Carino, Eulógio e outros teólogos do cristianismo primitivo não tiveram
    um conceito real nem físico de Jesus Cristo. Disse mais, que Epifânio,
    falando sobre as seitas heréticas dos marcionítas, valentinianos,
    saturninos, simonianos e outros, falava que o redentor dos cristãos era
    Horus, o filho de Ísis, um dos três deuses da trindade egípcia, que mais
    tarde viria a ser Serapis.



    Ganeval afirmou ainda que os docetistas negavam a realidade
    de Jesus, e, para refutar a negação, o IV Evangelho põe em relevo a
    lança que fez sair água e sangue do corpo de Jesus, com o intuito de
    provar sua existência física. Segundo Jerônimo, esses docetistas teriam
    sido contemporâneos dos apóstolos. Lembra ainda que o imperador Adriano,
    viajando em 131 para Alexandria, declara que “o deus dos cristãos era
    Serapis, e que os devotos de Serapis eram os mesmos que se chamavam os
    bispos de cristãos”.



    Adriano, decerto, estava com a verdade. Documentos daquela
    época informam que existiam os atuais Evangelhos, assim como Tácito
    informa que os hebreus e os egípcios formavam uma só superstição. Os
    escritos de Filon não se referem a Jesus Cristo, conforme pretenderam
    fazer crer os falsificadores, mas a Serapis. Quando havia referências
    aos cristãos terapeutas, afirmavam que se falava dos cristãos de Jesus.



    Por sua vez, Clemente de Alexandria e Orígenes escreveram
    negando Jesus e falando em Cristo, o qual seria Crestus. No entender de
    Fócio, tudo isso não passava de fabulação mítica, não tendo existido
    Jesus nem Cristo, de que a Igreja criou o seu Jesus Cristo.



    Duquis e Volney, fazendo o estudo da mitologia comparada,
    mostram de onde retiraram Jesus Cristo: do próprio mito. Filon,
    escrevendo a respeito dos cristãos terapeutas, disse que o seu teor de
    vida era semelhante ao dos cristãos e essênios. Abandonavam bens e
    família para seguir apaixonadamente aos sacerdotes. Epifânio escreveu
    que os cristãos terapeutas viviam junto do lago Mareótides, tendo os
    seus Evangelhos e os seus apóstolos. É sobre esses cristãos que Filon
    escreveu. Se os cristãos seguidores de Jesus Cristo já existissem, Filon
    não poderia deixar de falar deles. Quando do pretenso nascimento de
    Cristo, Filon contava apenas 25 anos de idade. Os Evangelhos, tendo
    surgido muito tempo após a morte de Filon e de Jesus, não poderiam ser
    os do cristianismo por ele referido.



    Clemente de Alexandria e Orígenes não criam na encarnação
    nem na reencarnação, motivo porque não creram na encarnação de Jesus
    Cristo, embora fossem padres da Igreja. Orígenes morreu em 254.



    Fócio escreveu sobre “Disputas” de Clemente e afirmou que
    ele negara a doutrina do “Logos”, dizendo que o “Verbo” jamais se
    encarnou, afirmação igualmente feita por Ganeval. Analisando os quatro
    volumes de “Principia”, de Orígenes, percebe-se que o “Logos” ou o
    “Verbo” era o mesmo sopro de Jeová, referido por Moisés. Fócio, tendo-se
    escandalizado com isso, disse que Orígenes era um blasfemo.



    Apenas analisando como se referia ao Verbo, a Crestus e ao
    Salvador, é que se pode excluir a possibilidade da existência física de
    Jesus. Tratá-lo-iam de modo bem diferente, se tivesse realmente
    existido.

    Continua.
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    Fco Oliveira
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    Re: Testemunho de Flávio Josefo Sobre o falso Cristo!

    Mensagem por Fco Oliveira em Seg Nov 21, 2011 7:37 pm





    V Um Jesus Cristo Não Histórico




    A história, conforme mencionamos, não tem registro da existência de
    Jesus Cristo. Os autores que temos em apreço e que seriam seus
    contemporâneos omitiram-se completamente. Os documentos históricos que o
    mencionam, fazem-no esporadicamente, e bem assim revelam-se rasurados e
    falsificados, motivo pelo qual de nada adiantam, neste sentido, para a
    história. É óbvio, portanto, que a história não poderia registrar um
    evento que não aconteceu.



    Tomando conta da história, o cristianismo deixou-a na
    contingência de referir o nome de Jesus Cristo como sendo um deus
    antropomorfizado, mas nunca uma pessoa de carne e ossos que tenha realmente vivido.



    Ao fazê-lo, principia por um estudo filológico e
    etimológico dos termos “Jesus” e “Cristo”, e termina mostrando que os
    dois nomes foram reunidos em um só, para ser dado posteriormente a um
    indivíduo. O termo “Jesus” significa salvador, enquanto que “Cristo” é o
    ungido do Senhor, o “oint” dos judeus, o Messias esperado doe judeus.
    Nesse estudo, a história mostra que a crença messiânica havia tomado a
    orla do Mediterrâneo a partir do século II antes de nossa era. O norte
    da África, o sul da Europa, a Ásia Menor, estavam todos repletos de
    Messias e Cristos, e de milhares de pessoas que os seguiam e neles
    criam.



    Ao referir-se aos pretensos Messias, o Talmud deu esse nome
    até mesmo a diversos reis pagãos, como no caso de Ciro, conforme está
    em Isaias 44:1, ou ao rei de Tiro, como está em Ezequiel 28:14 e nos
    Salmos, quando se verifica que os nomes de Jesus e de Cristo já vinham
    sendo atribuídos a diversos líderes religiosos da Antiguidade.



    As fontes pesquisadas pela história mostraram que Jesus
    Cristo, ao ser estudado como fato histórico, só pode ser encarado como
    sendo o “ungido do Senhor”, uma personalidade de existência abstrata
    apenas, não tendo possuído contextura física pelo que deixou de ser
    histórico. É apenas uma figura simbólica, através da qual a humanidade
    tem sido ludibriada de há muitos séculos.



    Cumprindo seu dever de informar, a história põe diante dos
    olhos do crente e do estudioso as provas de que foi a luta dos líderes
    cristãos a partir do século II para que o mito Jesus Cristo adquirisse a
    consistência granítica que levou a crença religiosa dos europeus da
    Idade Média sob o guante do criminoso absolutismo dos reis e dos Papas
    de então.



    Este estudo demonstra que Jesus Cristo foi concebido no
    século II para cumprir um programa messiânico elaborado pelos profetas e
    pelos compiladores do Velho Testamento e das lendas, sob o seu pretenso
    nome. Vê-se, então, que os passos de Jesus pela terra aconteceram
    conforme o Talmud, para que se cumprissem as profecias que o judaísmo
    havia inventado.



    Jesus Cristo pode ser considerado o ator no palco.
    Representou o drama do Gólgota e retirou-se da cena ao fim da peça.
    Mateus 1:2 descreve-nos um Jesus Cristo que nasce milagrosamente, apenas
    para que se cumprissem as escrituras. Em 2:5 diz que nasceu em Belém,
    porque foi ali que os profetas previram que nasceria. Em 2:14 deixa-o
    fugir para o Egito, para justificar estas palavras: “Meu filho será
    chamado do Egito”. Em 2:23 faz José regressar a Nazaré porque Jesus
    deveria ser nazareno. Em 3:3 promove o encontro de Jesus com João
    Batista, porque Isaías predissera-o. Em 4:4 Jesus foi tentado pelo
    diabo, porque as escrituras afirmaram que tal aconteceria e que ele
    resistiria. Em 4:14 leva Jesus para Carfanaum para conferir outra
    predição de Isaías. Em 4:12 Jesus diz que não se deve fazer aos outros
    senão aquilo que gostaríamos que a nós fosse feito, porque isto também
    estava na lei dos profetas. Em 7:17 Jesus cura os endemoniados, conforme
    predissera Isaías. Em 11:10-14 Jesus palestra com João Batista porque
    assim predissera Elias. Em 12:17 Jesus cura as multidões, quando pede
    que não propalem isso, igualmente dando cumprimento às palavras de
    Isaías. Em 12:40 permanece sepultado durante três dias porque os deuses
    do paganismo, os deuses solares ou redentores, também estiveram; como
    Jonas, que foi engolido por uma baleia, a qual depois de três dias jogou
    para fora, intacto como se nada tivesse acontecido. E tudo isto
    aconteceu em um mar onde não há possibilidade de vida para esse cetáceo,
    portanto, só poderia acontecer graças aos milagres bíblicos. Em 13:14
    diz que Jesus falava por meio de parábolas, como Buda também o fez.
    Assim também falavam os antigos taumaturgos, para que apenas os
    sacerdotes entendessem; assim só eles seriam capazes de interpretar para
    os incautos e crédulos religiosos, e, afinal, porque Isaías assim o
    previa. Em 21:14 Jesus entra em Jerusalém montado em um burreco,
    conforme as profecias. Em 26:54 Jesus diz que não foi preso pelo povo
    quando junto dele se assentou no templo para ensinar, porque também
    estava previsto. Em 27:9 Judas trai a Jesus, vendendo-o por trinta
    dinheiros e recebendo à vista o preço da traição. Em 27:15 os soldados
    repartem entre si as roupas do crucificado.



    Apenas o cumprimento desta profecia choca-se frontalmente
    com a história. E, de acordo com ela, nessa época não havia legionários
    romanos na Palestina. Lucas 23:27 diz que Jesus mandou comprar espadas,
    para que assim fosse confundido com os malfeitores comuns, porque assim
    estava previsto. Em seguida, diz que Jesus, ao ensinar aos seus
    apóstolos, afirmava que tudo o que lhe acontecesse, era para que
    estivesse de acordo com o que escreveram Moisés e os profetas, e como
    estava descrito nos salmos. Em 24:44-46 diz que Jesus afirmou “Como era
    necessário que Cristo padecesse e ressuscitasse ao terceiro dia, dentre
    os mortos”.



    Para ficar de acordo com as previsões testamentárias, João
    19:27 diz que Jesus teve sede e pediu água. Em 19:30, ao beber a água,
    disse que era vinagre e exclamou: “Tudo se cumpriu”. Em 19:32-37 diz que
    não lhe quebraram nenhum osso, apenas o feriram com a lança para
    verificar se havia expirado. E isto também estava predito. Por ai,
    percebe-se que tudo ali é puro simbolismo, e que Jesus foi idealizado
    apenas para cumprir as escrituras. Está ai uma prova de que a existência
    de Jesus nada mais é do que uma fabulação evangélica. Do mesmo modo que
    inventaram as profecias, inventaram alguém para cumpri-las. Tanto é
    verdade, que os judeus que ainda hoje acreditam em profecias, não
    aceitaram Jesus como tendo sido o Messias prometido pelo Talmud.



    Além disso, os seus escritores esgotaram todos os
    argumentos possíveis com o fim de provar que Jesus não foi um
    acontecimento palestino, e que não passou de um romance escrito pelos
    judeus dispersos e dos que se aproveitaram do messianismo judeu para
    criar uma empresa comercial, como tem sido o Vaticano.



    O messianismo não foi uma lenda que tenha atingido a todas
    as classes sociais judias. Essa lenda foi criada pelos sacerdotes judeus
    visando com isso ajudar ao povo da rua a suportar melhor as agruras da
    pobreza e não reagir contra as classes privilegiadas. Essas promessas
    são cumpridas pelos sacerdotes, a seu modo, a fim de que o pobre viva de
    esperanças e não sinta que o rico continua metendo as mãos em seus
    bolsos, impunemente. O homem do povo raramente compreende a finalidade
    desse tipo de engodo.



    O Talmud traz uma porção de profecias, e ao mesmo tempo
    critica aos que lhes dão crédito. A crítica representa uma evolução do
    pensamento das lideranças judias. Um estudo comparado do judaísmo e do
    cristianismo mostra a enorme quantidade de crendices dessas religiões
    forjadas pelos seus líderes e afastadas pela evolução do conhecimento.



    Em nossos dias, o conhecimento atingiu um ponto em que a
    própria Igreja começou a relegar para um canto os seus ídolos de aspecto
    humano. O conhecimento humano terminara por vencer definitivamente,
    provando que todos os deuses e ídolos têm os pés de barro. Nossos
    antepassados viram muitos ídolos cair. Certas práticas e crenças
    religiosas ainda permanecem válidas porque os sacerdotes, como bons
    psicólogos que são, observam o desenvolvimento mental do povo e sabem
    que uns encontram a verdade, enquanto outros, jamais conseguiram
    alcançá-la.



    Idealizando um Jesus Cristo adaptado às profecias
    talmúdicas, criaram um personagem incoerente e inseguro, o que nos dá a
    medida exata do quilate mental dos seus criadores. Podiam ser espertos,
    mas nunca inteligentes ou cultos.



    Não deve ter sido tarefa das mais fáceis a de adaptar um
    Cristo vindo para cumprir as profecias no fanatismo das populações
    ignaras. Foi um trabalho de titãs não acorrentados à verdade, nem à
    sinceridade que o homem deve ao seu semelhante. Nunca foi fácil
    transformar uma fantasia em realidade. Por isso, o cristianismo teve de
    valer-se da espada de Constantino e das armas de seus legionários para
    impor dogmaticamente o que a razão e o conhecimento jamais aceitariam
    passivamente. Nos dois primeiros séculos do cristianismo, cada qual
    queria ser o primeiro e mandar mais e, se possível, ficar sozinho.
    Tivemos muitos reis e Papas analfabetos, atestando o primarismo dos
    judeus dispersos, como dos lideres europeus da época do lançamento do
    cristianismo.



    Tentando racionar a teologia do judaísmo e do cristianismo,
    fizeram de Jeová um deus absurdo e de Jesus um ser irreal, ambos
    incoerentes, o que se tornou a essência do Talmud e dos Evangelhos.
    Através de Jesus Cristo, valorizaram as profecias do pretenso profeta
    Isaías, revitalizando assim o judaísmo e dando seriedade ao Talmud,
    fazendo dos Evangelhos um amontoado de mentiras e de impossíveis
    humanos. Assim é que criaram um relato inconsistente, que desmorona
    completamente em face de uma análise mais profunda.



    Scherer escreveu que Jesus não foi um filósofo nem fundador
    de uma religião. Foi apenas Messias. O sentido da vida de Jesus era
    apenas dar cumprimento às profecias messiânicas, e tal ideia é o centro
    dos fatos evangélicos, a razão de ser Jesus. Tendo vindo ao mundo
    tão-somente para cumprir as profecias, deixou de ser humano e tornou-se
    um fantasma, ou um símbolo do que nunca teve existência real.



    A vida de Jesus e de seus apóstolos desenrola-se apenas
    como uma peça teatral, na qual Jesus acumula os papéis de deus e de
    homem. Um dia o público há de convencer-se de que esteve diante de um
    ser bíblico, sem uma realidade histórica.



    Segundo Arthur Weigal, o único testemunho escrito por quem
    teria convivido com Jesus teria sido a epístola atribuída a Pedro. Teria
    surgido quando começaram as pretensas perseguições aos cristãos, na
    qual ele os animava. Entretanto, como a existência de Pedro é igualmente
    lendária, a epístola em questão não merece fé, tendo sido composta por
    qualquer cristão, menos pelo mitológico Pedro.



    Os escritos de Tácito, dadas as adulterações sofridas,
    carecem de valor histórico. Dai não se poder admitir como verdade que
    Nero, entre os anos 54 e 68, tenha realmente perseguido aos seguidores
    de Jesus Cristo. Tertuliano, entretanto, afirma que Pedro foi
    martirizado no governo de Nero.



    Contudo, vários pesquisadores, entre os quais Holmann e
    Weizsacker, demonstraram que essas perseguições somente começaram a
    partir do século II. Irineu, no ano 180, achava que a epístola de Pedro
    fora escrita em 83, mas não por Pedro. Nesta epístola, Pedro dizia que
    “Jesus sofreu por nós, deixando-nos um exemplo”. Acrescentara ter sido
    testemunha pessoal dos seus sofrimentos, após os quais subiu ao céu, de
    onde voltaria em breve. No entanto, sua volta não ocorreu até hoje,
    apesar de terem se passado dois mil anos. A falta de cumprimento dessa
    promessa invalida todas as suas afirmações.



    Disse Pedro, ainda, que Jesus mandou que se amasse uns aos
    outros, pagando o mal com o bem, retribuindo a injúria com a bênção.
    Recomendou a caridade, a hospitalidade e a humildade; o dever de evitar o
    mal, fazer o bem e buscar a paz, assim como a abstinência da ambição da
    carne, evitar o rancor, a inveja e a maledicência; a submissão às
    autoridades, crer em Deus e honrar o rei.



    As epístolas de Paulo viriam em segundo lugar, como
    importância histórica. Pedro teria aprendido a doutrina cristã na
    convivência direta com Jesus. Suas epístolas seriam consideradas
    autênticas por terem sido escritas 20 ou 30 anos após a crucificação.
    Pedro, assim como Paulo, afirmaram que Jesus voltaria em breve para
    julgar a humanidade. Contudo, ambos estavam enganados e enganaram aos
    outros. Paulo teria conhecido pessoalmente a Pedro e a Jaques, um dos
    irmãos de Jesus Cristo, assim como referia-se a outras pessoas que
    teriam convivido com Jesus. A crucificação e a ressurreição teriam sido
    fatos indiscutíveis para Pedro e Paulo, cujos escritos estariam muito
    próximos dos acontecimentos.



    Paulo, em I Coríntios 11:1, diz: “Imitam-me como se fosse
    Jesus”. Teria pregado o amor, a paz, a temperança, a caridade, a
    alegria, a paciência, a doçura, a confiança e a boa vontade. A lei
    divina deveria ser interpretada segundo o espírito e não conforme a
    letra. “Amarás ao próximo como a ti mesmo”, seria um amor paciente,
    caridoso e humilde.



    As epístolas procuraram estabelecer a historicidade de
    Jesus, assim como revelar muitos pontos do seu caráter. Jesus teria
    vivido apenas para redimir a humanidade, não teria pecado, sendo, sem
    dúvida alguma, o filho de Deus. Papias, em 140, escreveu que Mateus
    havia colecionado as máximas de Jesus, e Marcos recolhera muitas notas
    para o Evangelho. Assim, os Evangelhos seriam o espelho de Jesus,
    contado pelos apóstolos, espalhando entre os homens o ideal de perfeição
    moral e mental.



    As curas, milagres e pregações de Jesus, em pouco tempo,
    haviam espalhado o seu nome, galvanizando as multidões, todos sentiam
    que havia surgido o Messias. Assumiu o papel de Messias e com isso
    entusiasmou a multidão, pelo que entrou em Jerusalém cercado da emoção e
    do respeito do povo. Ao anoitecer abandonou a cidade, e, no dia
    seguinte, ao regressar, encontra muita agitação. As autoridades haviam
    tomado medidas contra ele. Dois dias antes da páscoa, tomou sua última
    refeição com os companheiros e ali permaneceu a espera dos
    acontecimentos, sabendo que o seu reino não era deste mundo. À noite,
    foi preso, e, no dia seguinte, julgado. O povo quis que o sacrificassem
    em lugar de Bar Abbas. Seria o sacrifício pascal, rito multimilenar que
    iria mais uma vez acontecer. Após a morte, sai do sepulcro,
    ressuscitado, e vai ao encontro dos apóstolos, pede comida, e depois de
    permanecer algum tempo com eles, ascende ao céu prometendo voltar em
    breve.



    Foi este o retrato feito de Jesus Cristo pelo cristianismo,
    e que ainda hoje milhões de pessoas adoram. Entre nós, são bem poucos
    os que põem em dúvida a veracidade desse romance contado pelos judeus da
    diáspora e aproveitado por seus seguidores latinos.



    No entanto, a razão e o conhecimento estão se encarregando
    de destruir a pretensa veracidade desse conto. Muitas coisas
    consideradas como milagres são hoje conseguidas naturalmente através da
    ciência, da tecnologia moderna, da medicina, do conhecimento científico
    em todas as suas modalidades, e mesmo através da hipnose. Diante das
    conquistas que o homem tem feito, é possível que ele abra os olhos para a
    verdade e perceba então que Deus jamais se preocupou com sua sorte e
    com o mundo. A história desmente peremptoriamente que Deus tenha
    comparecido ao mundo nos momentos de festa ou de dor. O homem foi
    abandonado à própria sorte e tem lutado muito para sobreviver através
    dos tempos, e tem obtido sucesso porque está sempre acumulando
    conhecimentos, os quais emprega em situações futuras.



    Diante de tudo o que foi exposto, só nos resta dizer que a
    história, em dois mil anos, não encontrou uma única prova ou documento
    que mereça crédito no que diz respeito à vida de Jesus. Sua existência é
    fictícia e só encontra agasalho no seio da mitologia. Seu nascimento,
    sua vida, sua morte, sua família, seus discípulos, tudo, enfim, que lhe
    diz respeito, tem analogia com as crenças, ritos e lendas dos deuses
    solares, adorados sob diversos nomes e modalidades e por povos diversos,
    também.



    Dele, a história nada sabe.






    VI Jesus e o Tempo




    O mítico dia do nascimento de Jesus Cristo foi oficializado por
    Dionísio, o Pequeno, no século VI, que marcou no ano 1 do século I,
    correspondendo ao ano 753 da fundação de Roma, com um erro de previsão
    calculado em seis anos. Para chegar a essa artificiosa fixação,
    serviu-se de diversos sistemas de cálculo. Calvísio e Moestrin contaram
    até 132 sistemas e Fabrício arredondou para 200.



    Para uns, teria sido entre 6 e 10 de janeiro, para outros,
    19 ou 20 de abril, enquanto outros ainda situavam entre 20 e 25 de
    março. Os cristãos orientais determinaram a data entre 1 e 8 de janeiro,
    enquanto os ocidentais escolheram a 6 de janeiro.



    Em 375, São João Crisóstomo escreveu que a data de 25 de
    dezembro foi introduzida pelos orientais. Entretanto, antes do ano 354,
    Roma já o havia fixado para esta mesma data, segundo o calendário de
    Bucer. Essas diferenças foram o resultado da preocupação da Igreja em
    fazer com que o nascimento de Jesus coincidisse e se confundisse com os
    dos deuses solares, os deuses salvadores, e especialmente com o Deus
    Invictus, que era Mitra. E era justamente ao mitraismo que a religião
    cristã pretendia absorver.



    No dia 25 de dezembro todas as cidades do império romano
    estavam iluminadas e enfeitadas para festejar o nascimento de Mitra. A
    preocupação de ligar o nascimento de Jesus ao de Mitra denota o
    artificialismo que fundamentou o cristianismo. Foi a divinização do deus
    dos cristãos às custas da luz do Sol dos pagãos.



    Foi um dos grandes trabalhos de mistificação da Igreja a
    confluência dos dois nascimentos para a mesma data. Assim, o nascimento
    do novo deus apagava da memória do povo a lembrança de Mitra, no fim do
    inverno.



    A tradição religiosa, desde milênios, fizera com que todos
    os deuses redentores nascessem em 25 de dezembro. Quanto ao lugar de
    nascimento de Jesus, disseram ter sido em Belém, para combinar com as
    previsões messiânicas que, fazendo de Jesus um descendente de David,
    teria a adesão dos judeus incautos.



    O II e o IV Evangelhos não mencionam o assunto, enquanto o I
    e o III aludem ao caso, mas se contradizem. Uns dizem que os pais de
    Jesus moravam em Belém, enquanto outros afirmam que eles ali estavam de
    passagem. Essa insegurança deve-se ao fato de pretenderem ligar a vida
    de Jesus à de David, conforme as profecias. Todavia, isto confundia as
    tendências históricas ligadas ao nascimento dos deuses solares. A
    preocupação apologética, contudo, invalidou a pretensão histórica.



    De tudo isto resultou que a história pode hoje provar que
    tudo aquilo que se refere a Jesus é puro convencionalismo, e sua
    existência é apenas ideal e não real. De modo que a morte dos inocentes
    nada mais é do que a repetição da matança das criancinhas egípcias,
    contada no Êxodo. A estrela só pôde ser inventada porque naquele tempo o
    homem ainda não sabia o que era uma estrela; tanto assim que a Bíblia
    afirma que Josué fez parar o sol com um aceno de sua mão apenas. Assim, a
    estrela que guiou os magos é coisa realmente absurda. Antes de tudo,
    ninguém soube realmente de onde vieram esses reis e onde eram os seus
    países.



    Outros fenômenos relatados como terremotos, trevas e
    trovões, assinalados pelo Bíblia, não o são pela história dos judeus nem
    dos romanos. Só os interessados no mito puderam ver tais
    acontecimentos. Os escritores que relataram fatos ocorridos na Palestina
    e no Império Romano não transmitiram estes fatos que teriam ocorrido na
    morte de Jesus à posteridade. Muita coisa pode ter acontecido naqueles
    tempos, menos as que estão nos Evangelhos.



    Pilatos, por exemplo, morreu ignorando a existência de
    Jesus. Os legionários romanos jamais receberam ordens para prendê-lo.
    Nenhum movimento social, político ou religioso contrário às normas da
    ocupação surgiu na Judeia, para justificar a condenação de seu líder por
    Pilatos.



    Entretanto, Jesus teria sido julgado e condenado pelos
    sacerdotes judeus, pois Pilatos deixara o caso praticamente em suas mãos
    e do povo, lavando as suas próprias. Nem Pilatos, nem Caiaz, nem Hannã
    deixaram qualquer referência acerca desse processo. Nenhum deles poderia
    dizer qual a aparência física de Jesus. Tertuliano, baseando-se em
    Isaías, disse que ele era feio, ao passo que Agostinho afirmou que ele
    era bonito. Uns afirmaram que era imberbe, outros que era barbado. Sua
    cabeleira espessa e barba fechada resultaram de uma convenção realizada
    no século XII. O Santo Sudário retrata um Jesus Barbudo.



    Nada do que se refere a Jesus pode ser considerado ponto
    pacífico. Tudo é discrepante e contraditório. Ora, se aqueles que tinham
    e os que ainda têm interesse em defender a veracidade da existência de
    Jesus não conseguiram chegar a um acordo no que lhe diz respeito, isso
    não é bom sinal.



    Moy escreveu: “Desde que se queira tocar em qualquer coisa
    real na vida de Jesus, esbarra-se logo na contradição e incoerência”.
    Por isso, até o aspecto físico de Jesus tornou-se discutível, o que
    ajuda a provar que ele nunca existiu. De acordo com a história, não se
    pode aceitar o que está escrito nos evangelhos coma prova de sua
    existência. Também a Igreja não dispõe de argumentos válidos, nesse
    sentido. A arqueologia, por outro lado, nada encontrou até aqui capaz de
    elucidar a questão.



    De tudo isto depreendemos que a existência física de Jesus
    jamais poderá ser provada de modo irrefutável, e, por conseguinte, é
    muito difícil ser acatada por homens cultos e amantes da verdade. O
    romance, as lendas, os contos, a ficção, interessam como cultura, como
    expressão do pensamento de um povo, e desse modo são perfeitamente
    aceitos. Entretanto, a apresentação de tais modalidades de cultura como
    fatos reais, consumados e verdadeiros e como tal serem impostos ao povo,
    é condenável.



    A atitude do cristianismo tem sido, através dos tempos,
    justamente a que nós acabamos de condenar: a imposição das lendas, do
    romance e da novela como realidade palpável, como fato verdadeiro e
    incontestável.



    Em sua “Vida de Jesus”, Strauss diz: “Poucas coisas são
    certas, nas quais a ortodoxia se apoia de preferência — as milagrosas e
    as sobrehumanas —, as quais jamais aconteceram. A pretensão de que a
    salvação humana dependa da fé em coisas das quais uma parte é certamente
    fictícia, outra sendo incerta, é um absurdo, que em nossos dias nem
    sequer devemos nos preocupar, refutando-o”.



    Ernest Havet, comparando Jesus com Sócrates, diz que
    Sócrates é um personagem real, enquanto Jesus é apenas ideal. Homens
    como Platão e Xenófanes, os quais conviveram com Sócrates, deixaram o
    seu testemunho a respeito do mesmo. Em seus escritos relatam tudo sobre
    Sócrates: a vida, o pensamento, os ensinamentos e a morte. E nada do que
    lhe diz respeito foi adulterado, e, portanto, é autêntico, verdadeiro e
    indiscutível.



    Quanto a Jesus, não teve existência real, e aqueles aos
    quais se atribui escritos e referências em relação a ele, uns foram
    adulterados em seus escritos, outros não existiram. Pílatos, que teria
    autorizado seu sacrifício, omite o fato quando relata os principais
    acontecimentos de seu governo. Por acaso mandaria matar um deus, e não
    saberia? Assim, quem descreveu Jesus, apenas imaginou o que ele teria
    sido, não foi sua testemunha.



    Renan disse em sua “Vida de Jesus”: “Nossa admiração por
    Jesus não desapareceria nem mesmo quando a ciência nada pudesse decidir
    de certo, e chegasse forçosamente às negações”. Termina dizendo que o
    divino encontrado pelos cristãos em Jesus é o mesmo que a beleza de
    Beatriz, que apenas resultou do pensamento de Dante ou de seu gênio
    literário. Da mesma forma, as belezas de Cristina residem nos sonhos
    religiosos dos hindus. As maravilhas de Jesus e a beleza de Maria são
    produtos do gênio inventivo da liderança oradora dos mitos Jesus e
    Maria.



    Se de ambos apenas se diz o bem, há sinal que eles não
    tiveram existência real. Jesus Cristo é uma criação do homem, o qual
    esteve em cena apenas para realizar as profecias dos primários profetas
    judeus. Esta é também a opinião de Didon, exposta em seu livro “Vida de
    Jesus”. Diz ele que é suspeita a sonegação de quase trinta anos da vida
    de Jesus à história evangélica.



    “Nós apenas sabemos um nada da vida de Jesus”, escreveu
    Miron. Os redatores dos Evangelhos e os primeiros autores eclesiásticos,
    recolhendo as tradições correntes na comunidade cristã, podem ter
    adquirido alguns fragmentos da verdade; mas como assegurar que, entre
    tantos elementos mitológicos e legendários, haja algo de verdade? Assim,
    a vida de Jesus em si é impossível.



    Acontece com Cristo o mesmo que acontece com todos os entes
    legendários: quanto mais os buscamos, menos os encontramos. A tentativa
    feita até aqui de colar na história, de arrebatar às trevas da
    teologia, um personagem que até a idade de trinta anos é absolutamente
    desconhecido, e que depois da referida idade aparece fazendo impossíveis
    humanos — os milagres — é absurda e ridícula.



    Labanca, em “Jesus Cristo”, impugna a possibilidade de uma
    biografia científica de Jesus, baseando-se na inautenticidade dos
    Evangelhos, uma vez que os mesmos não tiveram finalidade histórica, mas
    tão-somente religiosa e propagandística. Jesus não está nos Evangelhos
    por causa de sua esquisita divindade, mas porque isso convém aos seus
    lançadores e aos que ainda hoje vivem do seu nome, como rendoso meio de
    vida.


    VII




    Jesus Cristo nos Evangelhos



    Assim como a história não tomou conhecimento da existência de Jesus,
    os Evangelhos igualmente desconhecem-no como homem, introduzindo-o
    apenas como um deus. Maurice Vernés mostrou com rara mestria que o Velho
    Testamento não passa de um livro profético de origem apenas sacerdotal,
    fazendo ver que tudo que ai está contido não é histórico, sendo apenas
    simbólico e teológico. O mesmo acontece com o Novo Testamento e os
    Evangelhos. Tudo na Bíblia é duvidoso, incerto e sobrenatural.



    Tratando dos Evangelhos, mostra que sua origem foi mantida
    anônima, talvez de propósito, não se podendo saber realmente quem os
    escreveu. Por isso, eles começam com a palavra “segundo”; Evangelho
    segundo Mateus; segundo Marcos. Daí se deduz que não foram eles os
    autores desses Evangelhos, foram, no máximo, os divulgadores.



    Igualmente deixaram em dúvida a época em que foram
    escritos. A referência mais antiga aos Evangelhos é a de Papias, bispo
    de Yerápoles, o qual foi martirizado por Marco Aurélio entre 161 e 180.
    Seu livro faz parte da biblioteca do Vaticano. Irineu e Eusébio foram os
    primeiros a atribuir a Marcos e a Mateus a autoria dos Evangelhos, mas
    ambos permanecem desconhecidos da história, como o próprio Jesus Cristo.
    Destarte, pouco ou nenhum valor têm os Evangelhos como testemunha dos
    acontecimentos. Se só foram compostos no século III ou IV, ninguém pode
    garantir se os originais teriam realmente existido.



    Os primitivos cristãos quase não escreveram, e os raros
    escritos desapareceram. Por outro lado, no Concílio de Niceia foram
    destruídos todos os Evangelhos. Esse Concílio foi convocado por
    Constantino, que era pagão. Daí, devem ter sido compostos outros
    Evangelhos para serem aprovados por ele ou pelo Concílio. Com isto,
    perderam sua autenticidade, deixando de ser impostos pela fé para
    serem-no pela espada.



    Celso, no século II, combateu o cristianismo argumentando
    somente com as incoerências dos Evangelhos. Irineu diz que foram
    escolhidos os quatro Evangelhos, não porque fossem os melhores ou
    verdadeiros, mas apenas porque esses provieram de fontes defendidas por
    forças políticas muito poderosas da época. Os bispos que os apoiaram
    tinham muito poder político. Informam ainda que antes do Concílio de
    Niceia os bispos serviam-se indiferentemente de todos os Evangelhos
    então existentes, os quais alcançaram o número de 315. Até então eles se
    equivaliam para os arranjos da Igreja. Mesmo assim, os quatro
    Evangelhos adotados conservaram muitas das lendas contidas nos demais
    que foram recusados. De qualquer forma, era e continuam sendo todos
    anônimos, inseguros e inautênticos. Os adotados foram sorteados, e não
    escolhidos de acordo com fatores valorativos. Mesmo estes adotados desde
    o Concílio de Niceia sofreram a ação dos falsificadores que neles
    introduziram o que mais convinha à época, ou apenas a sua opinião
    pessoal.



    Esta é a história dos Evangelhos que, através dos tempos,
    vêm sofrendo a ação das conveniências políticas e econômicas. Embora a
    Igreja houvesse se tornado a senhora da Europa, nem por isso
    preocupou-se em tornar os Evangelhos menos incoerentes. Sentiu-se tão
    firme que julgou que sua firmeza seria eterna.



    Os argumentos mais poderosos contra a autenticidade dos
    Evangelhos residem em suas contradições, incoerências, discordâncias e
    erros quanto a datas e lugares, e na imoralidade de pretender dar cunho
    de verdade a velhos e pueris arranjados dos profetas judeus. Essa
    puerilidade avoluma-se à medida que a crítica verifica o esforço
    evangélico em tornar realidade os sonhos infantis de uma população
    ignorante. Para justificar sua ignorância, se dizem inspirados pelo
    Espírito Santo, o qual também é uma ficção religiosa, resultante da
    velha lenda judia segundo a qual o mundo era dominado por dois espíritos
    opositores entre si: o espírito do bem e o do mal. Adquiriram essa
    crença no convívio com os persas, os egípcios e os hindus.



    Os egípcios tiveram também os seus sacerdotes, os quais
    escreveram os livros religiosos como o “Livro dos Mortos”, sob a
    inspiração do deus Anubis. Hamurabi impôs suas leis como tendo sido
    oriundas do deus Schamash. Moisés, descendo do Monte Sinai, trouxe as
    tábuas da lei como tendo sido ditadas a ele por Jeová. Maomé,
    igualmente, foi ouvir do anjo Gabriel, em um morro perto de Meca, boa
    parte do Alcorão. Allah teria mandado suas ordens por Gabriel.



    O conhecimento mostra que as religiões, para se firmarem,
    têm-se valido muito mais da força física do que da fé. Quanto à verdade,
    esta não existe em suas proposições básicas. De modo que, Anubis,
    Schamash, Allah e Jeová nada mais são do que o Espírito Santo sob outros
    nomes.



    Stefanoni demonstrou que todos esses escritos não
    representam o Espírito Santo, mas o espírito dominante em cada época ou
    lugar. Assim surgiram os Evangelhos, os quais, como Jesus Cristo, foram
    inventados para atender a certos fins materiais, nem sempre
    confessáveis.



    “Não creria nos Evangelhos, se a isso não me visse obrigado
    pela autoridade da Igreja”. São palavras de Sto. Agostinho. Com sua
    cultura e inteligência, poderia hoje estar no rol dos que não creem.

    Continua.
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    Re: Testemunho de Flávio Josefo Sobre o falso Cristo!

    Mensagem por Fco Oliveira em Seg Nov 21, 2011 7:39 pm



    VIII Jesus Cristo é um Milagre




    No que diz respeito a Jesus Cristo, a teologia toma em consideração,
    sobretudo, o aspecto sobrenatural e os seus milagres. João Evangelista
    foi trazido para a cena a fim de criar o Logos, o Jesus metafísico,
    destruindo, assim, o Jesus-Homem. As contradições surgidas em torno de
    um Jesus saído da mente de pessoas primárias e incultas tornaram-no
    muito vulnerável à crítica dos mais bem dotados em conhecimento. Então
    vem João e substitui o humano pelo divino, por ser o mais seguro. O
    mesmo iria fazer a Igreja no século XV, quando, para abafar, grita
    contra os que haviam queimado miseravelmente uma heroína nacional dos
    franceses, tiraram o uniforme do corpo carbonizado de Joana D’Aro e
    vestiram-lhe a túnica dos santos. O mesmo aconteceu com Jesus: teve de
    deixar queimar a pele humana que lhe haviam dado, para revestir-se com a
    pele divina.



    A Igreja, na impossibilidade de provar a existência de
    Jesus-Homem, inventou o Jesus-Deus. Assim atende melhor à ignorância
    pública e fecha a boca dos incrédulos. Do que relatamos, conclui-se
    que, no caso de Joana D’Arc, a igreja obteve os resultados esperados.
    Contudo, continua com as mesmas dificuldades para provar que Jesus
    Cristo, como homem ou como deus, tenha vivido fisicamente. E não é só.
    Ela não tem conseguido provar nada do que tem ensinado e imposto como
    verdade. Falta-lhe argumentos sérios e convincentes para confrontar com o
    conhecimento científico e com a história sem que sejam refutados.



    A Igreja tudo fez para tornar Jesus Cristo a base e a razão
    de ser do cristianismo. E isto satisfez plenamente a seus interesses
    materiais nestes dois milênios de vida. Da mesma forma, os portugueses,
    os espanhóis e os ingleses, de Bíblia na mão e cruz no peito, foram à
    longínqua África para arrastar o negro como escravo, para garantir a
    infra-estrutura econômica do continente americano. Jamais se preocuparam
    em saber se o pobre coitado queria separar-se de seus entes queridos,
    nem o que estes iriam sofrer com a separação.



    A Igreja está realmente atravessando uma crise. Acontece
    que os processos tecnológicos e científicos descortinam para o homem
    novos horizontes, e então ele percebe que foi iludido miseravelmente.
    Sua fé, sua crença e seu deus morrem porque não têm mais razão de ser.



    Jesus Cristo foi inicialmente um deus tribal, que teria
    vindo ao mundo por causa das desgraças dos judeus. Eles sonhavam ser
    donos do mundo, mas, mesmo assim, foram expulsos até mesmo de sua
    própria terra. Contudo, o cristianismo ganhou a Europa, com a adesão dos
    reis e imperadores.



    Renan, não conseguindo encontrar o Jesus-Divino, tentou
    ressuscitar o Jesus-Homem. Mas o que conseguiu foi apenas descrever uma
    esquisita tragédia humana, cujo epílogo ocorreu no céu. Jesus teria sido
    um altruísta mandado à terra para que se tornasse uma chave capaz de
    abrir o céu. Teria sido o homem ideal com que o religioso sonha desde
    seus primórdios. Existindo o homem ideal, cuja idealidade ficasse
    comprovada, o histórico seria dispensável. Mas, ao tentar evidenciar um
    desses dois aspectos, Renan perdeu ambos. Mostrou então que, para provar
    o lado divino de Jesus, compuseram os Evangelhos. Seu objetivo: relatar
    exclusivamente a vida de um homem milagroso e não de um homem natural.



    Elaborando os Evangelhos, cometeram tantos erros e
    contradições, que acabaram por destruir, de vez, a Jesus. A exegese da
    vida de Jesus, baseada no conhecimento e na lógica, separando-se o ideal
    do real, eles destroem-se mutuamente. Quem descreve o Jesus real, não
    poderá tocar o ideal, e vice-versa, porque um desmente o outro.



    Em suma, os Evangelhos não satisfazem aos estudiosos da
    verdade livre de preconceitos, destruindo o material e o ideal postos na
    personalidade mítica de Jesus. A fabulação tanto recobre o humano como o
    divino.



    Verificamos, então, estarmos em presença de mais um deus
    redentor ou solar. Jesus, através dos Evangelhos, pode ser Brama, Buda,
    Krishna, Mitra, Horus, Júpiter, Serapis, Apolo ou Zeus. Apenas deram-lhe
    novas roupas. O Cristo descrito por João Evangelista aproxima-se mais
    desses deuses redentores do que o dos outros evangelistas. É um novo
    deus oriental, lutando para prevalecer no ocidente como antes tinha
    lutado para impor-se no oriente. É um novo subproduto do dogmatismo
    religioso dos orientais, em sua irracional e absurda metafísica. Por
    isso, criaram um Jesus divino, não por causa dos seus pretensos
    milagres, mas por ser o Logos, o Verbo feito carne. Essa essência divina
    é que possibilitou os milagres. É um deus antropomorfizado, feito
    conforme o multimilenar figurino idealizado pelo clero oriental. Jesus
    não fez milagres, ele é o próprio milagre. Nasceu de um milagre, viveu
    de milagres e foi para o céu milagrosamente, de corpo e alma, realizando
    assim mais uma das velhas pretensões dos criadores de religiões: a
    imortalidade da alma humana.



    Sendo Jesus essencialmente o milagre, não poderá ser
    histórico, visto não ter sido um homem normal, comum, passando pela vida
    sem se prender às necessidades básicas da vida humana. Jesus foi
    idealizado exclusivamente para dar cumprimento às profecias do judaísmo,
    é o que verificamos através dos Evangelhos. Tudo quanto ele fez já
    estava predito, muito antes do seu nascimento.



    Jesus surgiu no cenário do mundo, não como autor do seu
    romance, mas tão-somente como ator para representar a peça escrita, não
    se sabe bem onde, em Roma ou, talvez, Alexandria. O judaísmo forneceu o
    enredo, o Vaticano ficou com a bilheteria. E, para garantir o êxito
    total da peça, a Igreja estabeleceu um rigoroso policiamento da plateia,
    através da confissão auricular. Nem o marido escapava à delação da
    esposa ou do próprio filho. O pensamento livre foi transformado em crime
    de morte. Os direitos da pessoa humana, calcados aos pés. Nunca a
    mentira foi imposta de modo tão selvagem como aconteceu durante séculos
    com as mentiras elaboradas pelo cristianismo. À menor suspeita, a
    polícia tonsurada invadia o recinto e arrastava o petulante para um
    escuro e nauseabundo calabouço onde as mais infames torturas eram
    infligidas ao acusado. Depois, arrastavam-no à praça pública para ser
    queimado vivo, o que, decerto, causava muito prazer ao populacho
    cristão.



    Desse modo, a Igreja tornou-se um verdugo desumano,
    exercendo o seu poder de modo impiedoso e implacável, ao mesmo tempo em
    que escrevia uma das mais terríveis páginas da história da humanidade.



    Durante muito tempo o sentimento de humanidade esteve
    ausente da Europa, e a mentira triunfava sobre a verdade. Milhares de
    infelizes foram sacrificados porque ousaram dizer a verdade. O poder
    público apoiava a farsa religiosa, e era praticamente controlado pela
    Igreja. Aquele que ousasse apontar as inverdades, as incoerências e o
    irracionalismo básicos do catolicismo, seria eliminado. Tudo foi feito
    para evitar que o cristianismo fracassasse, devido à fragilidade de seus
    fundamentos. O que a Igreja jura de mãos postas ser a verdade, é
    desmentido pelo conhecimento, pela ciência e pela razão.






    IX Jesus Cristo, um Mito Bíblico




    Folheando as páginas da história humana, e não encontrando aí
    qualquer referência à passagem de Jesus pela terra, nós, estudiosos do
    assunto, convencer-nos-emos de que ele nada mais é do que um mito
    bíblico. Pesquisando os Evangelhos na esperança de encontrar algo de
    positivo, deparamo-nos mais uma vez com o simbolismo e a mitologia. A
    história que o envolve desde o nascimento até a morte é a mesma do
    surgimento de inúmeros deuses solares ou redentores.



    É de se notar o cuidado que tiveram os compiladores dos
    Evangelhos para não permitir que Jesus praticasse senão o que estava
    estabelecido pelas profecias do judaísmo. Assim, a vida de Jesus nada
    mais é do que as profecias postas em prática. O cristianismo e os
    Evangelhos são um modo de reavivamento da chama do judaísmo, ante a
    destruição do templo de Jerusalém. É uma transformação do judaísmo, de
    modo a existir dentro dos muros de Roma, de onde, posteriormente,
    ultrapassou os limites, alcançando boa parte do mundo.



    O sofrimento que o judaísmo infligiu ao povo pobre deveria
    ser o suficiente para que se acabasse definitivamente. Acreditamos que a
    ambição de Constantino é que deu lugar ao alastramento do cristianismo,
    ou, melhor dizendo, do judaísmo sob novas roupagens e novo enredo. Não
    fosse isso, a falta de cumprimento das pretensas promessas de Abraão, de
    Moisés e do próprio Jesus Cristo já teria feito com que o judaísmo e o
    cristianismo fossem varridos da memória do homem. De há muito o homem
    estaria convencido da falsidade que é a base da religião.



    Idealizaram o cristianismo que, baseado no primarismo da
    maioria, deu novo alento ao judaísmo, criando assim, o capitalismo e a
    espoliação internacional. O liberalismo que surgiu graças ao monumental
    trabalho dos enciclopedistas, é que possibilitou ao homem uma nova
    perspectiva de vida. A partir do enciclopedismo, os judeus e o judaísmo
    deixaram de ser perseguidos por algum tempo, e com isto, quase perdeu
    sua razão de ser.



    Ao surgir Hitler e seu irracional nazismo, encontrou quase a
    totalidade dos judeus alemães integrada de corpo e alma na pátria
    alemã. O Fuhrer deu então um novo alento ao judaísmo, ao persegui-lo de
    modo desumano. Graças à perseguição de que foram vítimas os judeus de
    toda a Europa durante a guerra de 1940, surgiu a justificativa
    internacional para que se criasse o Estado de Israel. Talvez o Estado de
    Israel, revivendo sua velha megalomania racial, invalide em sangue a
    tendência natural para a socialização do mundo e universalização do
    conhecimento. A socialização do mundo acabaria com a irracional e
    absurda ideia de ser o judeu um bi-pátrida. Nasça onde nascer, não se
    integra no meio em que nasce e vive. Daí a perseguição.



    Os judeus ricos de todo o mundo carreiam para Israel todo o
    seu dinheiro e, com ele, a tecnologia e o conhecimento alugados. Graças
    a isto, poderá embasar ali os seus mísseis teleguiados, tudo quanto
    houver de mais avançado na química, física e eletrônica. Assim, terão
    meios de garantir a manutenção da sócio-economia estruturada no
    capitalismo. Esta é uma situação realmente grave, a qual poderá
    tornar-se dramática no porvir. O poder econômico concentrado em poucas
    mãos é uma ameaça contra o homem e sua liberdade.



    Apesar de o cristianismo liderar o movimento que faz do
    homem e do seu destino o centro das preocupações das altas lideranças
    sociais, a grande maioria dos homens está marginalizada, porque o poder
    econômico do mundo acumula-se em poucas mãos. E, se permanecemos crendo
    em tudo quanto criaram os judeus de dois milênios atrás, isso é sinal de
    que não evoluímos o bastante para justificar o decurso de tanto tempo.
    Se o progresso científico e a tecnologia avançada não conseguirem
    libertar-nos dos mitos, estará patente mais uma vez o estado pueril em
    que ainda se encontra o desenvolvimento mental do homem. O homem não
    será de todo livre enquanto permanecer preso às convenções religiosas,
    as quais possuem como único fundamento o mito e a lenda.



    Se assim falamos, não é que estejamos sendo movidos por um
    antissemitismo ou um anticlericalismo doentio; de modo algum isto é
    verdadeiro. O que nos motiva tomar em pauta o assunto é o desejo de ver
    um crescente número de pessoas partilhar conosco do conhecimento da
    verdade.



    Temos dito repetidas vezes que tudo aquilo em que se
    fundamenta o cristianismo é apenas uma compilação de velhas lendas dos
    deuses adorados por diversos povos. Strauss diz que saiu do Velho
    Testamento a pretensão de que Jesus encarnar-se-ia em Maria, através do
    Espírito Santo. Em números, 24:17 estava previsto que uma estrela
    guiaria os reis magos.



    Cantu lembra que, juntando-se os livros do Velho Testamento
    com os do Novo, teremos 72 livros, o mesmo número de anciãos teria
    Moisés escolhido para subir com ele ao Monte Sinai. O Velho Testamento
    previa que o povo seguiria a Jesus, mesmo sem conhecê-lo. Seriam os
    peixes retirados da água pelos apóstolos, e os mesmos da pescaria de São
    Jerônimo. Moisés teria feito da pedra o símbolo da força de Jeová, por
    isto, Jesus devia dar a Pedro as chaves do céu.



    Oseias 11:1 e Jeremias 31:15-16-4-10-28 profetizam que o
    Messias seria chamado por Jeová, do Egito, ligado ao pranto de Raquel
    pelo assassinato dos filhos. Então arranjaram a terrível matança dos
    inocentes, a qual consta apenas em dois evangelhos, sendo silenciado o
    assunto pelos outros dois e pelos relatos enviados a Roma.



    Strauss lembra também que a discussão de Jesus com doutores
    do templo, assim como a passagem de Ana e Semeão, bem como a
    circuncisão, estava tudo previsto no Velho Testamento. Diz ainda que
    teria ido para Nazaré após o regresso do Egito apenas para que os
    Evangelhos pudessem atribuir-lhe a alcunha de nazareno. Entretanto,
    Nazaré não existia, pelo menos naquela época; era uma cidade fantasma,
    só passando a existir nas páginas dos Evangelhos. Assim, Jesus foi
    nazareno, não por ter nascido em Nazaré, visto que não poderia nascer em
    dois lugares, como também não poderia nascer em uma cidade que não
    existia. Ele foi nazareno por ter sido um comunista essênio. A
    anunciação e o nascimento de João Batista foram copiados do Talmud.



    As tentações de Jesus pelo demônio, no deserto, segundo
    Emilio Bossi, foram copiadas das Escrituras. Os quarenta dias passados
    no deserto são oriundos do cabalismo de Roma e da crença dos babilônios,
    os quais atribuíam a esse número força cabalística. Por isso, tal
    número repete-se várias vezes no decorrer das dissertações bíblicas: o
    dilúvio descrito na Bíblia durou quarenta dias; Moisés esteve quarenta
    anos na corte do Faraó; passou quarenta anos no deserto, e os ninivitas
    jejuaram quarenta dias.



    Ezequiel teria sido conduzido por um espírito de um lugar
    para outro, através do espaço. Abraão teria sido tentado pelo demônio;
    os mesmos episódios passaram ao Novo Testamento, tendo Jesus como
    protagonista. Perguntamos nós: por que tais coisas não mais se repetem? A
    resposta só pode ser esta: elas jamais aconteceram. Tudo isto não passa
    de lendas ou sonhos, os quais foram impostos como fatos reais.



    O Talmud diz: “Então se abrirão os olhos aos cegos e os
    ouvidos aos surdos”. Jesus teria de dizer: “Então o coxo pulará como o
    cervo e a língua dos mudos se soltará”.



    Em Lucas 4:27 Jesus cura Naamã, reproduzindo uma cura
    efetuada por Eliseu, de um outro leproso. Elias e Eliseu ressuscitaram
    mortos, por seu lado, Jesus ressuscitaria a Lázaro. Os discípulos de
    Jesus, não sabendo como curar os endemoniados, recorrem ao Mestre.
    Passagem semelhante está em Eliseu, cujo servo teria recorrido a ele
    para curar o filho da sunamita. A multiplicação dos pães e dos peixes é a
    repetição de Moisés no deserto, fazendo cair maná e cordonizes. Moisés
    transformou as águas do rio em sangue e Jesus transforma a água em
    vinho.



    Em Jeremias 7:11 e Isaías 56:7 está escrito que o templo
    não deve se converter em um covil de ladrões, o que leva os evangelistas
    a dizer que Jesus expulsou os mercadores do templo.



    A transfiguração de Jesus é a mesma coisa que aconteceu a
    Moisés, ao subir ao Monte Sinai, quando encontrou com Jeová. Aliás,
    Moisés havia prometido que viria um profeta semelhante a ele. A traição
    de Judas repete o mesmo acontecimento em relação a Crestus.



    A prisão de Jesus foi descrita de modo igual no Talmud. A
    fuga dos apóstolos estava prevista por Isaías. Jesus foi crucificado na
    Páscoa, representando o cordeiro pascal.



    Essas comparações patenteiam a existência do cristianismo
    muito antes de Filon. Donde se deduz que Jesus foi inventado de acordo
    com as Escrituras, sem esquecer de anexar as ideias de Filon ao relato
    de sua pretensa vida. Fócio demonstrou que os Evangelhos foram copiados
    de Filon. São Clemente e Orígenes, embora fossem padres da Igreja,
    orientaram-se por Filon e não pelo bispo de Roma.



    Estas citações seriam suficientes para se provar que Jesus
    jamais existiu. É apenas um produto da mente clerical, a qual o compôs
    baseada em mitos e lendas.
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    Re: Testemunho de Flávio Josefo Sobre o falso Cristo!

    Mensagem por Fco Oliveira em Seg Nov 21, 2011 7:40 pm





    X As Contradições sobre Jesus Cristo




    Como tudo o mais que se refere à existência de Jesus na terra, também
    a sua ascendência é objeto de controvérsias. Segundo Mateus e Lucas,
    Jesus descende ao mesmo tempo de David e do Espírito Santo. Entretanto,
    como filho do Espírito Santo, não poderá descender de José,
    consequentemente deixa de ser descendente de David e o Messias esperado
    pelos judeus. Assim, Jesus ficará sendo apenas Filho de Deus, ou Deus,
    visto ser uma das três pessoas da trindade divina.



    Em ambos os evangelhos acima citados há referências quanto a
    data de nascimento de Jesus, mas tais referências são contraditórias o
    Jesus descrito por Mateus teria onze anos quando nasceu o de Lucas.
    Mateus diz que José e Maria fugiram apressadamente de Belém, sem passar
    por Jerusalém, indo direto para o Egito, após a adoração dos Reis Magos.
    Herodes iria mandar matar as criancinhas. Todavia, Lucas diz que o
    casal estivera em Jerusalém e acrescenta a narração da cena de que
    participaram Ana e Semeão. De modo que um evangelista desmente o outro.
    Lucas não alude à matança das criancinhas, nem à fuga para o Egito.



    Por outro lado, Marcos e João não se reportam à infância de
    Jesus, passando a narrar os acontecimentos de sua vida a partir do seu
    batismo por João Batista.



    Mateus que conta o regresso de Jesus, vindo do Egito e indo
    para Nazaré, deixa-o no esquecimento, voltando a ocupar-se dele somente
    depois dos seus trinta anos, quando ele procura João Batista. Diz ainda
    que João já o conhecia e, por isto, não o queria batizar, por ser um
    espírito superior ao seu.



    Lucas narra a discussão de Jesus com os doutores da lei,
    aos doze anos de idade. Sendo perguntado pela mãe sobre o que estava ali
    fazendo, teria respondido que se ocupava com os assuntos do pai.



    Emilio Bossi, referindo-se a esta passagem, estranha a
    atividade da mãe. Se o filho nascera milagrosamente, e ela não o ignora,
    só poderia esperar dele uma sequência de atos milagrosos. Mesmo a sua
    presença no templo, entre os doutores, não deveria causar preocupação à
    sua mãe, visto saber ela que o filho não era uma criança qualquer, e sim
    um Deus.



    Lucas diz que os samaritanos não deram boa acolhida a
    Jesus, o que muito irritara a João. Contudo, João, o Evangelista, diz
    que os samaritanos deram-lhe ótima acolhida e, inclusive, chamaram-no de
    salvador do mundo.



    Os evangelistas divergem também quanto ao relato da
    instituição da eucaristia. Três deles afirmam que Jesus instituiu-a no
    dia da Páscoa, enquanto João afirma que foi antes. Enquanto os três
    descrevem como aconteceu, João silencia.



    Na última noite Jesus estava muito triste, como, aliás,
    permaneceria até a morte. Pondo o rosto em terra, orou durante muito
    tempo. Segundo os evangelistas, ele estava de tal modo triste e
    conturbado que teria suado sangue, coisa, aliás, muito estranha, nunca
    verificada cientificamente.



    Enquanto isto, seus companheiros dormiam
    despreocupadamente, não se incomodando com os sofrimentos do Mestre.
    Entretanto João não fala sobre esse estado de alma do Mestre. Pelo
    contrário, diz que Jesus passara a noite conversando, quando se mostrava
    entusiasta de sua causa e completamente tranquilo. Lucas, Mateus e
    Marcos afirmam que o beijo de Judas denunciara-o aos que vieram
    prendê-lo. Todavia, João diz que foi o próprio Jesus quem se dirigiu aos
    soldados dizendo-lhes tranquilamente: “Sou eu”.



    Lucas é o único que fala no episódio da ida de Jesus de
    Pilatos para Herodes Antipas. Os outros caem em contradição quanto à
    hora do julgamento pelo Conselho dos Sacerdotes em presença do povo.
    João não fala a respeito do depoimento de Cireneu, nem na beberagem que
    teriam dado a Jesus. Omite-se ainda quanto à discussão dos dois ladrões,
    crucificados com Jesus, e quanto à inscrição posta sobre a cruz.



    De forma que seu relato é bastante diferente daquilo que os
    outros contaram. E as divergências continuam ainda no que concerne ao
    quebramento das pernas, ao embalsamamento, à natureza do sepulcro e ao
    tempo exato em que ele esteve enterrado. Quanto ao embalsamamento, por
    exemplo, há muita coisa que não foi dita. Teriam retirado seu cérebro e
    intestinos como se procede normalmente nesses casos? Se a resposta for
    positiva, como explicar o fato de Jesus, após a ressurreição, pedir
    comida? Como se vê, as verdades bíblicas são além de controvertidas,
    incompreensíveis.



    Lucas diz que Jesus referiu-se aos que sofrem de fome sede,
    enquanto Mateus diz que ele se referia aos que têm fome e sede de
    justiça, aos pobres de espírito. Uns afirmam que Jesus tratara os
    publicanos com desprezo e ódio, outros dizem que ele se mostrou amigável
    em relação a eles. Para uns, Jesus teria dito que publicassem as boas
    obras, para outros, que nada dissessem a respeito. Uma hora Jesus
    aconselha o uso da força física e da resistência, mandando até que
    comprassem espada; noutra, ameaça os que pretendem usar a força.



    Marcos, Mateus e Lucas dizem que Jesus recomendara o sacrifício. Entretanto, não tomou parte em nenhum deles.



    Mateus diz que Jesus afirmou não ter vindo para abolir a
    lei nem os profetas, enquanto Lucas diz que ele afirmara que isso já
    estava no passado, já tivera o seu tempo. Os três afirmam ainda que
    Jesus apenas pregara na Galileia, tendo ido raramente a Jerusalém, onde
    era praticamente desconhecido. Todavia, João diz que ele ia
    constantemente a Jerusalém, onde realizara os principais atos de sua
    vida. As coisas ficam de modo que não se sabe quem disse a verdade, ou,
    melhor dizendo, não sabemos quem mais mentiu. Ora, se Jesus tivesse
    realmente praticado os principais atos de sua vida em Jerusalém, seria
    conhecido suficientemente, e, então, não teriam que pagar a Judas 30
    dinheiros para entregar o Mestre.



    João, que teria sido o precursor do Messias, não se fez
    cristão, não seguiu a Jesus, pregando apenas o judaísmo no aspecto
    próprio. Entretanto, depois de preso, enviou um mensageiro a Jesus,
    indagando-lhe: “És tu que hás de vir, ou teremos de esperar um outro?”,
    ao que Jesus teria respondido: “Você é o profeta Elias”. Talvez houvesse
    esquecido que o próprio João antes já declarara isso mesmo. Contam os
    Evangelhos que, desde a hora sexta até Jesus exalar o último suspiro, a
    terra cobriu-se de trevas. Contudo, nenhum escritor da época comenta tal
    acontecimento.



    Marcos 25:25 diz que Jesus foi sacrificado às 9 horas. João
    diz que ao meio dia ele ainda não havia sido condenado à morte, e
    acrescenta que, a esta hora, Pilatos tê-lo-ia apresentado ao povo
    exclamando: “Eis aqui o vosso rei”!



    Emilio Bossi assinala detalhadamente todas estas
    contradições, e as que se deram após a pretensa ressurreição, dizendo
    que nada do que vem nos Evangelhos deve ser levado a sério. O
    sobrenatural é o clima em que se encontra a Bíblia, e esta é apenas o
    resultado da combinação de crenças e superstições religiosas dos judeus
    com as de outros povos com os quais conviveram.





    XI As Contradições Evangélicas




    Mateus e Marcos afirmam enfaticamente que os discípulos de Jesus
    abandonaram tudo para segui-lo, sem sequer perguntar antes quem era ele.
    Em Mateus, lê-se que Jesus teria afirmado que não viera para abolir as
    leis de Moisés. Contudo, esta seria uma afirmativa sem sentido algum,
    visto que hoje sabemos que os livros atribuídos a Moisés são apócrifos.



    Segundo João, quando Jesus falou ao povo, foi por este
    acatado e proclamado rei de Israel, aos gritos de “Hosanna”. Mas, um
    pouco adiante, ele se contradiz, afirmando que o povo não acreditou em
    Jesus, e imprecando contra ele, ameaçava-o a ponto de ele haver
    procurado esconder-se.



    Mateus diz que Jesus entrara em Jerusalém, vitoriosamente,
    quando a multidão tê-lo-ia recebido de modo festivo, e marchando com
    ele, juncava o chão com folhas, flores e com os próprios mantos,
    gritando: “Hosanna ao Filho de David! Bendito seja o que vem em nome do
    Senhor!” Aos que perguntavam quem era, respondiam “Este é Jesus, o
    profeta de Nazaré da Galileia”. No entanto, outros evangelistas afirmam
    que ele era um desconhecido em Jerusalém.



    Disseram que Pilatos estava convencido da inocência de
    Jesus, razão porque teria tentado salvá-lo, abandonando-o logo a seguir,
    indefeso e moralmente arrasado.



    João faz supor que Pilatos teria deixado matar a Jesus,
    temendo que denunciassem sua parcialidade ao imperador. Se ele não
    castigasse a um insurreto que se intitulara rei dos judeus, estaria
    traindo a César. No entanto, tal atitude por parte de Pilatos não
    combina com o seu retrato moral, pintado por Filon. Era um homem duro e
    tão desumano quanto Tibério. A vida de mais um ou menos um judeu, para
    ambos, era coisa da somenos importância. Filon faz de Pilatos um
    carrasco, e mostra que ele, em Jerusalém, agia com carta branca. Além
    disso, as reações de Pilatos com Tibério eram quase fraternais e ele era
    um delegado de absoluta confiança do imperador. Mas, como os Evangelhos
    foram compostos dentro dos muros de Roma, teriam de ser de modo a não
    desagradar às autoridades Imperiais. Pilatos foi posto nisso apenas
    porque os bens e a vida dos judeus estavam sob sua custódia. Entretanto,
    como a ocupação romana foi feita em defesa dos judeus ricos, contra os
    judeus pobres e os salteadores do deserto, as autoridades romanas temiam
    muito mais ao povo do que a Roma.



    Além disso, muitas eram as razões para não gostarem de
    Pilatos nem de Herodes Antipas. Eles eram antipáticos aos judeus pobres,
    por isso teriam temido a ira popular. Esta é a razão apresentada pelos
    historiadores que levam a sério os Evangelhos, justificando assim o
    perdão do criminoso Bar Abbas e a condenação do inocente Jesus.
    Entretanto, se as legiões romanas realmente ali estivessem naquela
    época, nem Pilatos nem Herodes tomariam em consideração a opinião do
    povo, porque se sentiriam garantidos nos seus postos.



    Além disso, a opinião popular é fator ainda bem novo na
    técnica de formação dos governos. Tudo o que sabemos é o que está nos
    Evangelhos. Jesus era um homem do povo e um dos que temiam o governo.
    Por isso é que em Marcos, 16:7 encontraremos Jesus aconselhando os
    discípulos a fuga. Em Lucas 10:4 Jesus está aconselhando aos discípulos a
    não falarem a ninguém em suas viagens.



    Em Mateus 35:23 encontraremos Jesus reprovando os judeus
    que haviam assassinado Zacarias, filho de Baraquias, entre o adro do
    templo e o altar. A história, no entanto, afirma ser esse episódio
    imaginário. Flávio Josefo relata um acontecimento semelhante, registrado
    no ano 67, 34 anos após a pretensa morte de Jesus, referindo-se no caso
    a um homem chamado Baruch. Isto evidencia o descuido dos compiladores
    dos Evangelhos, que os compuseram sem levar em conta que, no futuro, as
    contradições neles encontradas seriam a prova da inautenticidade dos
    fatos relatados.



    Nicodemos, que teria sido um fariseu rico, membro de
    Senedrin, homem de costumes morigerados e de boa-fé, não se fez cristão,
    apesar de ter agido em defesa de Jesus contra os próprios judeus. Por
    certo ele, como João Batista, não se convenceram da pretensa divindade
    de Jesus Cristo, nem mesmo se entusiasmaram com suas pregações.



    Outra ficção evangélica é debitada a Paulo, o qual inventou
    um Apolo, que não figura entre os apóstolos e em nenhum outro relato.
    Em Atos dos Apóstolos 18, lê-se: “Veio de Éfeso um judeu de nome Apolo,
    de Alexandria, homem eloquente e muito douto nas Escrituras. Este era
    instruído no caminho do Senhor, falando com fervor de espírito,
    ensinando com diligência o que era de Jesus, e somente conhecia João
    Batista. Com grande veemência convencia publicamente os judeus,
    mostrando-lhes pelas Escrituras que Jesus era o Cristo”. Seria um judeu
    fiel ao judaísmo que, segundo Paulo, procurava levar seus próprios
    patrícios para o Cristo? Na epístola I aos Coríntios, diz que: “Apolo
    era igual a Jesus”.



    Paulo, já no fim do seu apostolado, afirma que o imperador
    Agripa era um fariseu convicto, e que sua religião era a melhor que
    então existia. Era, assim, um divulgador do cristianismo afirmando a
    excelência do farisaísmo. Falando de Jesus, Paulo descreve apenas um
    personagem teológico e não histórico. Não se refere ao pai nem à mãe de
    Jesus, sendo um ser fantástico, uma encarnação da divindade que viera
    cumprir um sacrifício expiatório, mas não se reporta ao modo como teria
    sido possível a encarnação. Não diz sequer a data em que Jesus teria
    nascido. Não relata como nem quando foi crucificado. No entanto, estes
    dados têm muita importância para definir Jesus como homem ou como um ser
    sobrenatural. Está patente, desse modo, que Paulo é uma figura tão
    mitológica quanto o próprio Jesus.



    Em Atos dos Apóstolos 28:15 e em 45 Paulo diz que, quando
    chegou a Pozzuoli, ele e os seus companheiros foram ali bem recebidos,
    havendo muita gente à beira da estrada esperando-os. Entretanto,
    chegando a Roma, teve de defender-se das acusações de haver ofendido em
    Jerusalém ao povo e aos ritos romanos.



    Na Epístola aos Romanos 1:8 Paulo diz que a fé dos cristãos
    de Roma alcançara todo o mundo, razão porque encerraria sua missão tão
    logo regressasse da Espanha, onde saudaria um grande número de fiéis.
    Mas, se assim fosse, por que Paulo teve de se defender perante os
    cristãos de Roma, contra o seu próprio judaísmo?



    Com pouco tempo Paulo já pensava encerrar sua missão porque
    o cristianismo já se universalizara. Entretanto, ele continuava
    considerando como melhor religião o farisaísmo. O cristianismo a que
    Paulo referia-se deveria ser anterior a Jesus Cristo, que era o seguido
    pelos cristãos de Roma, e não pelos cristãos dos lugares por onde Paulo
    havia passado pregando.



    Eusébio disse que o cristianismo de Paulo era o terapeuta
    do Egito, e Tácito disse que os hebreus e os egípcios formavam uma só
    superstição.






    XII Algumas Fontes do Cristianismo




    O passado religioso do homem está repleto de deuses solares e
    redentores. Na índia, temos Vishnu, um deus que se reencarnou nove vezes
    para sofrer pelos pecados dos homens. No oitavo avatar foi Krishna e,
    no nono, Buda. Krishna foi igualmente um deus redentor, nascido de uma
    virgem pura e bela, chamada Devanaguy. Sua vinda messiânica foi predita
    com muita antecedência, conforme se vê no Atharva, no Vedangas e no
    Vedanta. O deus Vishnu teria aparecido a Lacmy, mãe da virgem Devanaguy,
    informando que a filha iria ter um filho-deus, e qual o nome que
    deveria dar-lhe. Mandou que não deixasse a filha casar-se, para que se
    cumprissem os desígnios de deus. Tal teria acontecido 3.500 anos a.C. no
    Palácio de Madura. O filho de Devanaguy destronaria seu tio. Para
    evitar que acontecesse o que estava anunciado, Devanaguy teria sido
    encerrada em uma torre, com guardas na porta. Mas, apesar de tudo, a
    profecia de Poulastrya cumpriu-se, “O espírito divino de Vishnu
    atravessou o muro e se uniu à sua amada”. Certa noite ouviu-se uma
    música celestial e uma luz iluminou a prisão, quando Viscohnu apareceu
    em toda a sua majestade e esplendor. O espírito e a luz de deus
    ofuscaram a virgem, encarnando-se. E ela concebeu. Uma forte ventania
    rompeu a muralha da prisão quando Krishna nasceu. A virgem foi
    arrebatada para Nanda, onde Krishna foi criado, lugar este ignorado do
    rajá.



    Os pastores teriam recebido aviso celeste do nascimento de
    Krishna, e então teriam ido adorá-lo, levando-lhe presentes. Então o
    rajá mandou matar todas as criancinhas recém-nascidas, mas Krishna
    conseguiu escapar. Aos 16 anos, Krishna abandonou a família e saiu pela
    Índia pregando sua doutrina, ressuscitando os mortos e curando os
    doentes. Todo o mundo corria para vê-lo e ouvi-lo. E todos diziam: “Este
    é o redentor prometido a nossos pais”. Cercou-se de discípulos, aos
    quais falava por meio de parábolas, para que assim só eles pudessem
    continuar pregando suas ideias.



    Certo dia os soldados quiseram matar Krishna, quando seus
    discípulos amedrontados fugiram. O Mestre repreendendo-os, e chamou-os
    de homens de pouca fé, com o que reagiram e expulsaram os soldados.
    Crendo que Krishna fosse uma das muitas transmigrações divinas,
    chamaram-no “Jazeu”, o nascido da fé. As mulheres do povo perfumavam-no e
    incensavam-no, adorando-o.



    Chegando sua hora, Krishna foi para as margens do rio
    Ganges, entrando na água. De uma árvore, atiraram-lhe uma flecha que o
    matou. O assassino teria sido condenado a vagar pelo mundo. Quando os
    discípulos procuraram recolher o corpo, não o encontraram mais porque,
    então, já teria subido para o céu.



    Depois Vishnu tê-lo-ia mandado novamente à terra pela nona
    vez, receberia o nome de Buda. O nascimento de Buda teria sido,
    igualmente, revelado em sonhos à sua mãe. Nasceu em um palácio, sendo
    filho de um príncipe hindu. Ao nascer, uma luz maravilhosa teria
    iluminado o mundo. Os cegos enxergaram, os surdos ouviram, os mudos
    falaram, os paralíticos andaram, os presos foram soltos e uma brisa
    agradável correu pelo mundo. A terra deu mais frutos, as flores ganharam
    mais cores e fragrância, levando ao céu um inebriante perfume.
    Espíritos protetores vigiaram o palácio, para que nada de mal
    acontecesse à mãe. Buda, logo ao nascer, pôs-se de pé maravilhando os
    presentes.



    Uma estrela brilhante teria surgido no céu no dia do seu
    nascimento. Nasceu também, nesse mesmo dia, a árvore de Bó, a cuja
    sombra o menino deus descansaria. Entre os que foram ver Buda, estava um
    velho que, como Semeão, recebeu o dom da profecia. Sua tristeza seria
    não poder assistir à glória de Buda por ser muito velho.



    Buda teria maravilhado os doutores da lei com a sua
    sabedoria. Com poucos anos de idade, teria começado sua pregação. Teria
    ficado durante 49 dias sob árvore de Bó, e sido tentado várias vezes
    pelo demônio. Pregando em Benares, convertera muita gente. O mais
    célebre de seus discursos recebeu o nome de “Sermão da Montanha”. Após
    sua morte apareceria também aos seus discípulos, trazendo a cabeça
    aureolada. Davadatta trai-lo-ia do mesmo modo que Judas a Jesus. Nada
    tendo escrito, os seus discípulos recolheriam os seus ensinamentos
    orais. Buda também tivera os seus discípulos prediletos, e seria um
    revoltado contra o poder abusivo dos sacerdotes bramânicos. Mais tarde, o
    budismo ficaria dividido em muitas seitas, como o cristianismo.



    Quando missionários cristãos estiveram na índia, ficaram
    impressionados e começaram a perceber como nasceu o romance da vida de
    Jesus. O Papa do budismo, o Dalai-Lama, também se diz ser infalível.



    Mitra, um deus redentor dos persas, foi o traço de união
    entre o cristianismo e o budismo. Cristo foi um novo avatar, destinado
    aos ocidentais. Mitra era o intermediário entre Ormuzd e o homem. Era
    chamado de Senhor e nasceu em uma gruta, no dia 25 de dezembro. Sua mãe
    também era virgem antes e depois do parto. Uma estrela teria surgido no
    Oriente, anunciando seu nascimento. Vieram os magos com presentes de
    incenso, ouro e mirra, e adoraram-no. Teria vivido e morrido como Jesus.
    Após a morte, a ressurreição em seguida.



    Fírmico descreveu como era a cerimônia dos sacerdotes
    persas, carregando a imagem de Mitra em um andor pelas ruas, externando
    profunda dor por sua morte



    Por outro lado, festejavam alegremente a ressurreição,
    acendendo os círios pascais e ungindo a imagem com perfumes. O Sumo
    Sacerdote gritava para os crentes que Mitra ressuscitara, indo para o
    céu para proteger a humanidade.



    Os ritos do budismo, do mitraísmo e do cristianismo são
    muito semelhantes. Horus foi o deus solar e redentor dos egípcios.
    Horus, como os deuses já citados, também nasceria de uma virgem. O
    nascimento de Horus era festejado a 25 de dezembro.



    Amenófis III criou um mito religioso, que depois foi
    adaptado ao cristianismo. Trata-se da anunciação, concepção, nascimento e
    adoração de Iath. Nas paredes do templo, em Luxor, encontram-se os
    referidos mistérios.



    Baco, o deus do vinho, foi também um deus salvador. Teria
    feito muitos milagres, inclusive a transformação da água em vinho e a
    multiplicação dos peixes. Em criança, também quiseram matá-lo.



    Adonis era festejado durante oito dias, sendo quatro de dor
    e quatro de alegria; as mulheres faziam as lamentações, como as
    carpideiras pagas de Portugal. O rito do Santo Sepulcro foi copiado do
    de Adonis. Apagavam todos os círios, ficando apenas um aceso, o qual
    representava a esperança da ressurreição. O círio aceso ficava
    semiescondido, só reaparecendo totalmente no momento da ressurreição,
    quando então o pranto das mulheres era substituído por uma grande
    alegria.



    Também os fenícios, muitos milênios antes, já tinham o rito da paixão, do qual copiaram o rito da paixão de Cristo.



    Todos os deuses redentores passaram pelo inferno, durante
    os três dias entre a morte e a ressurreição. Isto é o que teria
    acontecido com Baco, Osiris, Krishna, Mitra e Adonis. Nestes três dias,
    os crentes visitavam os seus defuntos, segundo Dupuis, em “L’ Origine
    des tous les cultes”.



    Todos os deuses redentores eram também deuses-sol, como
    Átis, na Frígia; Balenho, entre os celtas; Joel, entre os germanos; Fo,
    entre os chineses.



    Assim, antes de Jesus Cristo, o mundo já tivera inúmeros
    redentores. Com este ligeiro apanhado da mitologia dos deuses, deixamos
    patente a origem do romance do Gólgota. Acreditamos ter esclarecido
    quais as fontes onde os criadores do cristianismo foram buscar
    inspiração.
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    Re: Testemunho de Flávio Josefo Sobre o falso Cristo!

    Mensagem por Fco Oliveira em Seg Nov 21, 2011 7:42 pm



    XIII Jesus Cristo, uma Cópia Religiosa

    O precedente estudo permite-nos constatar que, nas diversas épocas da
    história, as religiões transformam-se, variando em razão da
    complexidade cada vez maior das sociedades em que elas existem.

    Vimos que a crença em um deus redentor é muito anterior ao
    judaísmo, sempre ligada à ânsia da necessidade de redenção das tremendas
    aflições do populacho.

    Quanto a Jesus Cristo, resultou de uma série de
    mitos, que os hebreus copiaram dos babilônicos, dos egípcios e de outros
    povos, visando com isto dar consistência ao judaísmo.

    Estudos filológicos forneceram as bases para o
    estabelecimento de um traço de união entre as crenças dos deuses
    orientais e o judaísmo.

    Tomemos, por exemplo, as palavras Ahoura-Mazzda e
    Jeová, que significam “O que é”. Partindo de velhas lendas orientais, e
    baseando-se na origem comum da palavra, foi compilado o Gênese, numa
    tentativa de explicar a criação do mundo.

    Segundo o Zend-Avesta, o Ser
    Eterno criou o céu e a terra, o sol a lua, as estrelas, tudo em seis
    períodos, aparecendo o homem por último.

    O descanso foi posto no sétimo dia. Manu havia ensinado,
    muito antes, que no começo tudo era trevas, quando Bhrama dispersou-as,
    criou e movimentou a água;

    Em seguida produziu os deuses secundários, os
    anjos dirigidos por Mossura, os quais posteriormente rebelar-se-iam
    contra Deus. Veio então Shiva, e arrojou-os ao inferno.

    Shiva tornou-se a
    terceira pessoa da Santíssima Trindade Bhramânica em consequência das
    sucessivas invasões bárbaras sofridas pela Índia.

    Os bárbaros, crendo em
    Shiva, o deus da lascívia e do sensualismo, impuseram sua inclusão, com
    o que surgiu a trindade divina de Bhrama.

    Manu ensinara igualmente que Deus criara o homem e a
    mulher, fazendo-os apenas inferior a Devas, isto é, Deus. O primeiro
    homem recebera o nome de Adima ou Adam, e a primeira mulher, Heva,
    significando o complemento da vida.

    Foram postos no paraíso celeste e
    receberam ordem de procriar. Deveriam adorar a Deus, não podendo sair do
    paraíso.

    Mas, um dia, indo ver o que havia fora dali, desapareceram.
    Bhrama perdoou-os, mas expulsou-os, condenando-os a trabalhar para
    viver. E disse que, por haverem desobedecido, a terra tornar-se-ia má,
    porque o espírito do mal dela se apoderara.

    Entretanto, mandaria seu filho Vishnu que, se encarnando em
    uma virgem, redimiria a humanidade, libertando-a definitivamente do
    pecado da desobediência.

    Ormuzd teria prometido ao primeiro casal humano que, se
    fossem bons, seriam felizes na terra. Mas Arimã mandou que um demônio em
    forma de serpente aconselhasse a desobedecerem a deus.

    Comeram os
    frutos que Arimã lhes deu, acabou a felicidade humana, e todos os que
    nascessem daí em diante seriam infelizes. Sendo levados cativos para a
    Babilônia, os judeus ali encontraram tal lenda.

    Libertos, voltando à
    Judeia, trouxeram essa crendice, como também a crença da imortalidade da
    alma e da vida futura, dos espíritos bons e espíritos maus, surgindo
    daí os anjos Gabriel, Miguel e Rafael, os querubins e serafins. Nasceu
    daí o mito do diabo, o anjo rebelado.

    A palavra paraíso é o termo persa que significa jardim. Os
    persas, os hindus, os egípcios e os gregos criam no paraíso. Da mesma
    forma, todos eles criam no inferno.

    Entretanto, as crenças antigas
    desconheciam as penas eternas, que foram criadas pelo cristianismo,
    aliás, uma das poucas coisas originárias dessa crença.

    Também o
    purgatório, naturalmente, é outra novidade do cristianismo, sendo
    desconhecido do judaísmo. A ideia do purgatório vem de Platão, que havia
    dividido as almas em puras, curáveis e incuráveis.



    Os filhos de Adima e Heva haviam-se tornado numerosos e
    maus.


    Por isso, Deus mandou o dilúvio para matá-los. Mas deu ordem a
    Vadasuata para construir um barco e nele entrar com a família, devido ao
    fato de ser um homem virtuoso.

    Deveria levar consigo, além da família,
    um casal de cada espécie de animal existente: esta é a história do
    dilúvio relatada nos Vedas, e que foi incluída na Bíblia dos cristãos.

    As origens do cristianismo repousam, incontestavelmente,
    nas lendas e crenças dos deuses mitológicos, não apenas dos judeus, mas
    também de outros povos.

    Os caldeus e os fenícios, como os judeus, haviam-se
    especializado no comércio, e por dever de ofício, alfabetizaram-se.

    Assim, sabendo ler e escrever, puderam copiar as lendas e o folclore dos
    povos com os quais comerciavam e conviviam, os quais puderam adquirir
    longevidade e fixar-se melhor na memória humana.

    Sendo comerciantes por excelência, os judeus perceberam que
    a religião poderia tornar-se uma boa mercadoria, através da qual
    adviria o domínio de muitos povos e vontades.

    Desta forma, tendo
    compilado o que julgaram mais interessante ou mais proveitoso em relação
    aos seus propósitos, passaram a difundir pelo mundo as suas ideias
    religiosas.

    Com isto, o conhecimento e a razão foram substituídos pelas
    crendices e superstições religiosas.

    Desde há muito a religião tem servido para moderar os
    impulsos humanos, sobretudo daqueles que pertencem a uma classe social
    menos favorecida.

    Salientamos o prejuízo que o mundo tem sofrido com o
    rebaixamento mental imposto com as crenças e superstições religiosas,
    com o que o conhecimento sofre uma estagnação sensível.

    No entanto, o homem tem-se deixado levar pelas crenças e
    práticas religiosas sem que nenhum benefício lhe advenha em retribuição.

    O homem tem feito tudo por si mesmo, apesar de sua religiosidade. A
    única classe beneficiada realmente com a religião é a dos sacerdote.

    Retornamos ao assunto em pauta, após uma rápida digressão. A
    Bíblia cita dez patriarcas que teriam morrido em idade avançada, antes
    do dilúvio.

    Contudo, essa lenda provém da tradição caldáica, segundo a
    qual dez reis governaram durante 432 anos. Da mesma forma, as lendas
    hindus, egípcias, árabes, chinesas ou germânicas fazem referência a
    homens que teriam tido uma longa vida, como a do Matusalém da Bíblia.



    Igualmente, a lenda de Abraão, que deveria sacrificar o seu
    filho Isaac, procede de lendas anteriores ao judaísmo. O livro das
    profecias hindus relata uma história igual.


    Ramatsariar conta que
    Adgitata, protegido de Bhrama, por ser um homem de bem, teve um filho
    que nasceu tão milagrosamente como Jesus. Entretanto, Bhrama, para
    experimentá-lo, ordena-lhe que sacrificasse o filho.

    Ele obedece, mas
    Bhrama impede-o no momento exato, seu filho seria o pai de uma virgem, a
    qual, por sua vez, seria a mãe de deus-homem.

    José e a mulher de Putifar foi a cópia de uma velha lenda
    egípcia, conforme documentos recentemente traduzidos. Era uma história
    intitulada “Os dois irmãos”.


    Emílio Bossi, relatando o achado, dá a palavra a Jacolliot:
    “Um homem da Índia fez leis políticas e religiosas; chamava-se Manu.
    Esse mesmo Manu foi o legislador egípcio, Manas.

    Um cretense vai ao
    Egito estudar as instituições que pretende dar ao seu pais, e a história
    confirma-nos isto dizendo que esse cretense foi Minos. Enfim, o
    libertador dos escravos judeus chamava-se Moisés, que teria recebido as
    leis das mãos do próprio Jeová.

    Temos, então, Manu, Manes, Minos e
    Moisés, os quatro nomes que predominaram no mundo antigo.


    Aparecem nos
    albores de quatro diversos povos para representar o mesmo papel,
    rodeados da mesma auréola misteriosa, os quatro são legisladores,
    grandes sacerdotes e fundadores das sociedades teocráticas e
    sacerdotais.

    Esses quatro nomes têm a mesma raiz sânscrita. O hinduismo
    deu origem ao judaísmo. Por isso, de Jeseu Krishna fizeram Jesus
    Cristo”.

    Documentos recentemente estudados mostram terem sido os
    hindus os prováveis colonizadores do Egito. A documentação demonstra que
    o conhecimento nasceu do saber hindu.

    A assiriologia mostra que a lenda de Moisés foi copiada da
    de Sargão I, rei acádio, que igualmente teria sido salvo em um cesto
    deixado no rio, à deriva.

    A lenda de Sansão é outro exemplo. Sansão representa o sol.
    O poder que lhe foi atribuído é o mesmo dos deuses solares. E, assim,
    examinando os escritos de antigas civilizações, chegamos ao conhecimento
    das origens de tudo o que a Bíblia narra como fatos reais.

    Concluímos
    então que Jesus Cristo nada mais representa que uma cópia das lendas e
    mitos dos deuses adorados por povos os mais remotos e variados.




    XIV Os Deuses Redentores

    Percebendo a importância da luz do sol sobre a terra, o homem
    imaginou que essa luz seria uma emanação protetora de Deus. Da ideia de
    que existia um único sol, surgiu o monoteísmo, isto é, a crença em um só
    Deus.

    Das palavras Devv e Divv, que em sânscrito significam sol e
    luminoso, originou-se a palavra deus. Daí, em grego, a palavra Zeus; em
    latim, deo; para os irlandeses, dias; em italiano dio, etc.


    A parte do tempo em que a terra recebe a luz do sol recebeu
    o nome dia em oposição ao período de trevas, a noite. O dia teria sido
    um presente divino, graças à luz solar.

    Conseguindo produzir o fogo,
    aumentou a crença humana no deus sol. Graças ao fogo, o homem pôde
    libertar-se de um dos seus maiores inimigos, que era o frio, assim como
    passou a cozinhar os seus alimentos.

    Devendo cada vez mais a vida ao
    calor, a gratidão do homem para com o sol cresceu ainda mais. Foi assim
    que nasceu o mito solar, do qual Jesus Cristo é o último rebento.

    Por uma série de ilações, chegaram igualmente à concepção
    do significado místico da cruz. Dos raios solares foi criada uma cruz,
    espargindo raios por todos os lados.

    Da mesma forma foi a ideia do
    Espírito Santo, um espírito benfazejo, que irradia a bondade divina.
    Depois a sequência mística do sol, o fogo e o vento, dando origem a
    Salvitri, Agni e Vayu, do mito védico.

    O rito védico celebra o nascimento de Salvitri, o deus-sol,
    em 25 de dezembro, no solstício, quando aparecem as refulgentes
    estrelas.

    As estrelas trazem a boa nova, a perspectiva de boas
    colheitas. Daí os sacrifícios e os ritos propiciatórios oferecidos ao
    deus-sol. Assim os cristãos encontraram o seu Jesus Cristo.

    A vida dos deuses redentores é a vida do sol. Por isso,
    todos eles tiveram suas datas de nascimento fixadas em 25 de dezembro:
    Mitra, Horus e Jesus Cristo.

    Também é simbólica a ressurreição na
    primavera, tempo da germinação e das folhas novas. Baseando-se nisto,
    Aristóteles e Platão admitiram uma certa racionalidade dos que adoravam o
    sol.

    Heródoto e Estrabão diziam que Mitra era o deus-sol, tendo
    por emblema um sol radiante. Plutarco conta que o culto de Mitra veio
    para a Sicília trazido pelos piratas do mar.

    Em escavações feitas no
    solo italiano, foram encontradas placas de barro solidificados ao sol
    trazendo esta inscrição: “Deo Soli Invicto Mitrae”, lembrando o deus dos
    persas.

    Niceto escreveu que certos povos adoraram a Mitra como o deus do fogo, outros como sendo o deus-sol.

    Júlio Fírmino Materno disse que Mitra era a personificação do deus fogo, enquanto Aquelau considerava-o o deus-sol.

    São Paulino descreveu os mistérios de Mitra como sendo os
    de um deus solar e redentor. Karneki, rei hindo-escita, no começo de
    nossa era, mandou cunhar moedas em que se vê a efígie de Mitra dentro de
    um sol radiante.

    Mitra ainda era representado com um disco solar na
    cabeça, segurando um globo com a mão esquerda. Do mesmo modo os cristãos
    representam Jesus Cristo.

    Era o Senhor. Ao surgir o cristianismo, os
    cristãos primitivos ainda chamavam o sol de “Dominus”, com o que,
    lentamente, foi absorvendo o ritual mitráico.

    No Egito, o sol era o “Pai Celestial”. Um obelisco trazido
    para o Circo Máximo de Roma trazia esta inscrição: “O grande Deus, o
    justo Deus, o todo esplendente”, tendo um sol espargindo seus raios para
    todos os lados.

    Da mesma forma, todos os deuses dos índios americanos
    pertenciam ao rito solar, assim como os deuses dos hindus, dos chineses e
    japoneses.

    Os caldeus, adorando o sol como seu deus, dedicaram-lhe a
    cidade de Sípara, onde ardia o fogo sagrado, eternamente, em sua honra.
    Em Edessa e em Palmira foram encontrados templos dedicados ao deus-sol.
    Orfeu considerava o sol como sendo o deus maior. Agamenon disse que o
    sol era o deus que tudo via e de que tudo provinha.

    Os judeus e os líderes do cristianismo, para a formação
    deste, só tiveram de adaptar as crenças e rituais antigos a um novo
    personagem: Jesus Cristo. Toda a roupagem necessária para vestir o novo
    deus preexistia. Apenas fazia-se necessário amoldá-la um pouco.


    XV Jesus Cristo É um Mito Solar

    Tendo em vista o completo silêncio histórico a respeito de Jesus
    Cristo, bem como as evidentes ligações deste com o mito dos
    deuses-solares, Dupuis escreveu o seguinte:

    “Um deus nascido de uma
    virgem, no solstício do inverno, que ressuscita na Páscoa, no equinócio
    da primavera, depois de haver descido ao inferno; um deus que leva atrás
    de si doze apóstolos, correspondentes às doze constelações;

    Que põe o
    homem sob o império da luz, não pode ser mais que um deus solar, copiado
    de tantos outros deuses heliosísticos em que abundavam as religiões
    orientais.

    No céu da esfera armilar dos magos e dos caldeus via-se um
    menino colocado entre os braços de uma virgem celestial, a que
    Eratóstenes dá como Ísis, mãe de Horus.

    Seu nascimento foi a 25 de
    dezembro. Era a virgem das constelações zodiacais. Graças aos raios
    solares, a virgem pôde ser mãe sem deixar de ser virgem…

    Via-se uma
    jovem ‘Seclanidas de Darzana’, que em árabe é ‘Adrenadefa’, e significa
    virgem pura, casta, imaculada e bela… Está assentada e dá de mamar a um
    filho que alguns chamam de Jesus e, nós, de Cristo”.

    Já vimos que Jesus repete todos os mistérios dos deuses
    solares e redentores, pelo que Heródoto, Plutarco, Lactâncio e Firmico
    puderam afirmar que esse deus redentor é o sol. De modo que Jesus é
    apenas mais um deus solar.

    Ainda hoje, grande parte do rito cristão é de origem solar.
    Na Bíblia, encontramos estas palavras: “Deus estabeleceu sua tenda no
    sol”, e ainda: “Sobre vós que temeis o meu nome, levantar-se-á o sol da
    justiça e vossa vida estará em seus raios”.

    João diz que “o verbo é a lei, a luz e a vida, a luz que
    Ilumina a vista de todos os mortais, a luz do mundo”. E ainda chama a
    Jesus de o “cordeiro”, o “Agnus Dei qui tollit peccata mundi”.

    Com isto,
    o Apocalipse fez de Jesus o “cordeiro pascal”, e a Igreja adorou-o sob a
    forma de um cordeiro até o ano de 680. Era o Cristo o Áries zodiacal,
    vindo de Agnus, com a significação de fogo, o sol condensado.

    Origenes justificava a adoração do sol tendo em vista a sua luz sensível e também pelo aspecto espiritual.

    Tertuliano reconheceu que o dogma da ressurreição tem sua
    origem na religião persa de Mitra. Para S. Crisóstomo, Jesus era o sol
    da justiça, para Sinésio, o sol intelectual. Fírmico Materno descreveu
    Jesus baixando ao inferno, esplendente como o sol.

    O domingo, o dia do Senhor, o dia do descanso, procede de Dominus, o deus-sol, o Senhor.


    Segundo Teodoro e Cirilo, para o maniqueus Cristo era o
    sol. Os Saturnilianos acreditavam que a alma tinha substância solar,
    deixando o corpo e voltando para o sol, de onde proviera, após a morte.

    O antigo rito do batismo determinava que o catecúmeno
    voltasse o rosto em primeiro lugar para o ocidente, para retirar de si a
    Satanás, símbolo das trevas.


    Igualmente, as festas do sábado santo são reminiscências do
    mito da luta do sol contra as trevas, na Páscoa. As orações desse
    ofício são cópia dos hinos védicos.

    A palavra aleluia, que era o grito
    de alegria dos persas, adoradores do sol, quando na Páscoa festejavam a
    sua volta, significa: elevado e brilhante.

    Foram necessários muitos séculos para que a igreja pudesse
    alienar um pouco do que lembrava que o seu culto era de um deus solar.
    Entretanto, a história escrita é inflexível, e demonstra que todos os
    deuses redentores ou solares foram tão adorados quanto o mitológico
    Jesus Cristo.

    E embora tenha havido longas fases em que foram impostos a
    ferro e fogo, nem por isto deixaram de cair, nada mais sendo hoje do
    que o pó do passado religioso do homem.

    O certo é que Jesus Cristo é mitológico de origem, natureza
    e significação. O seu surgimento ocorreu para atender à tendência
    religiosa e mística da maioria;

    Que ainda hoje teme as realidades da
    vida e, portanto, procura, para orientar-se, algo fora da esfera humana,
    na esperança de assim conseguir superar a si mesmo e aos obstáculos que
    surgem quotidianamente.

    O cristianismo é produto de tendências naturais de uma
    época, aproveitadas espertamente pelos líderes do cristianismo. O judeu
    pobre e oprimido, não tendo para quem apelar, passou a esperar de Deus
    aquilo que o seu semelhante lhe negava.

    O sacerdote, valendo-se do
    deplorável estado de espírito de uma população faminta e, sobretudo,
    desesperançada, ressuscitou um dentre os velhos deuses para restaurar a
    esperança do povo judeu.

    E, assim, surgiu mais um mito solar, mais um
    deus com todos os atributos divinos, tal como os que antecederam. O novo
    deus solar em questão é Yeshua Ha-Mashiach ou o Jesus Cristo do cristianismo.
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    Fco Oliveira
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    Re: Testemunho de Flávio Josefo Sobre o falso Cristo!

    Mensagem por Fco Oliveira em Sab Dez 15, 2012 2:46 pm



    XVI Outras Fontes do Cristianismo

    Conforme temos dito repetidas vezes, o cristianismo tomou por
    empréstimo tudo quanto se fez necessário à sua formação. Assim, todos os
    ensinamentos atribuídos a Cristo foram copiados dos povos com os quais
    os judeus tiveram convivência.

    A sua moral, a moral que Cristo teria
    ensinado, aprendeu-a com os filósofos que o antecederam em muitos
    séculos.

    De sorte que não há inovações em nenhum setor ou aspecto do
    cristianismo. Antigos povos, milênios antes, adoraram seus deuses
    semelhantemente.

    Dentre as máximas adotadas pelo cristianismo, comentaremos a
    seguinte: “Não faças aos outros o que não queres que a ti seja feito”.
    Este ensinamento não teria partido de Jesus, conforme pretendem os
    cristãos, não sendo sequer uma máxima cristã, originariamente.

    Encontrá-la-emos em Confúcio, e ainda no bramanismo, no
    budismo e no mazdeismo, fundado por Zoroastro. Era uma orientação
    filosófica e religiosa, adotada pelos hindus.

    A originalidade do
    cristianismo consistiu apenas em criar as penas eternas, um absurdo
    desumano e irracional. Enquanto isso, o mazdeismo cria a possibilidade
    de regeneração do pior bandido, admitindo mesmo a sua plena reintegração
    no seio da sociedade.

    O perdão aos inimigos foi, muito antes de Jesus,
    aconselhado por Pitágoras. Os egípcios religiosos praticavam uma moral
    muito elevada.

    No “Livro dos Mortos” encontramos a confissão negativa,
    de acordo com a qual a alma do morto comparecia ante o tribunal de
    Osiris e proferia em alta voz as suas más ações.

    O sentimento de igualdade e fraternidade para com os homens
    foi ensinado por Filon. O cristianismo adotou os seus ensinamentos,
    atribuindo-os a Jesus.

    São de Filon as seguintes palavras: “Os que
    exaltam as grandezas do mundo como sendo um bem, devem ser reprimidos.”;
    “A distinção humana está na inteligência e na justiça, embora partam do
    nosso escravo, comprado com o nosso dinheiro.”;

    “Porque hás de ser
    sempre orgulhoso e te achares superior aos outros?”; “Quem te trouxe ao
    mundo? Nu vieste, nu morrerás, não recebendo de Deus senão o tempo entre
    o nascimento e a morte, para que o apliques na concórdia e na justiça,
    repudiando todos os vícios e todas as qualidades que tornam o homem um
    animal”;

    “A boa vontade e o amor entre os homens são a fonte de todos os
    bens que podem existir”. Como vemos, não há nada de novo no
    cristianismo do Novo Testamento.

    Platão salientou a felicidade que existe na prática da
    virtude. Ensinou a tolerância à injúria e aos maus tratos, e condenou o
    suicídio.

    Recomendou o humanismo, a castidade e o pudor, e condenou a
    volúpia, a vingança e o apego demasiado aos bens. Sua moral baseou-se na
    exaltação da alma, no desprezo dos sentidos e na vida contemplativa.



    O Padre Nosso foi copiado de Platão. Quem conhece bem a obra de Platão
    percebe os traços comuns entre a mesma e o cristianismo. Filon
    inspirou-se em Platão e, a Igreja, na obra de Filon, que helenizou o
    judaísmo.

    Aristóteles afirmou que a comunidade repousa no amor e na
    justiça. Admitia a escravatura, mas libertou os seus escravos. Poderiam
    existir escravos, mas não a seu serviço.

    A comunidade deveria instruir a
    todos, independentemente da classe social, com o que ensinou o
    evangelho aos Evangelhos.

    A abolição do sacrifício sangrento não foi introduzida pelo
    cristianismo. Não lhe cabe tal mérito. Gélon, da Sicília, firmando a
    paz com os cartagineses, estipulou como condição a supressão do
    sacrifício de vidas animais aos seus deuses.

    Sêneca aconselhava o domínio das paixões, a insensibilidade
    à dor e ao prazer. Recomendava igualmente a indulgência para com os
    escravos, dizendo que todos os homens são iguais.

    Referia-se ao céu como
    fazem os cristãos, afirmando que todos são filhos de um mesmo pai.
    Concebia como pátria o Universo. Os homens deveriam se ajudar e se amar
    mutuamente.

    Enquanto isso, o humanismo cristão limitou-se apenas aos
    irmãos de fé. O bem visa somente a salvação da alma, o que é egoísmo,
    nunca humanismo.

    Sêneca manifestou-se contrário à pena de morte; o
    cristianismo, ao contrario, é responsável por inúmeras execuções.
    Admitia a tolerância mesmo em face da culpa. Em vez de perseguir e
    punir, por que não persuadir, ensinar e converter?

    Epíteto e Marco Aurélio foram bons professores dos
    cristãos. Os filósofos greco-romanos foram grandes mestres da moral
    cristã e da consolação, sem que para isto criassem empresas, negócios ou
    castas.

    O cristianismo existente antes de Jesus Cristo já pregava a
    moral anterior ao martírio do Gólgota. A moral cristã não veio de Jesus
    Cristo nem dos Evangelhos, mas nasceu da tendência natural para o
    aperfeiçoamento do homem.

    Não fosse a destruição sistemática de antigas
    bibliotecas, determinada pelo clero no intuito de preservar os seus
    escusos interesses, hoje seria possível patentear com documentos à mão
    que a moral anterior à cristã era bem melhor do que esta, tendo-lhe
    servido de modelo.

    Assim, vê-se que a moral jamais foi patrimônio de
    castas ou de indivíduos, sendo uma lenta conquista da humanidade, com ou
    sem religião, e mesmo contra ela.

    Por isso é que o mundo racionaliza-se
    continuamente, e avança sempre no sentido do seu aperfeiçoamento. A
    bondade humana independe da ideia religiosa. A razão ensina-nos o que
    devemos ao nosso meio social, independentemente da fé e da religião.

    Para justificar o aparecimento de Jesus, fez-se necessário recorrer a
    uma moral que, no entanto, já era um patrimônio da humanidade. Jesus
    nada mais foi do que a materialização de qualidades que já existiam.

    Por isso, mesmo em moral, Jesus foi ator, não autor. O cristianismo apenas
    sistematizou e industrializou essa velha moral, estabelecendo-a como um
    rendoso comércio.

    A Igreja é responsável pela deturpação dessa moral.
    Havia a moral pela moral, que foi substituída pela moral bíblica, em que
    só se é bom para ganhar o céu.

    Superpondo-se um grupo empresarialmente forte, extinguiu-se a moral individual.



    XVII

    Judaísmo e Cristianismo

    Pesquisas recentes e estudos comparados têm demonstrado que a
    mitologia judaico-cristã é bem anterior ao próprio judaísmo, quando se
    percebe que dogmas como o da imortalidade da alma, da ressurreição e do
    Verbo encarnado são muito anteriores ao cristianismo.

    A imortalidade da alma já era multimilenar quando os judeus
    foram levados cativos para a Babilônia. Zoroastro ensinara, muito
    antes, ser a alma imortal, e que essa imortalidade seria produto de uma
    opção humana.

    O livre arbítrio levaria o homem a escolher uma vida que o
    levaria ou não à imortalidade. O erro e o mal produziriam a morte
    definitiva, a prática do bem, a imortalidade.

    Do mesmo modo, na Ciropédia, bem anterior a Zoroastro,
    lê-se que Ciro, moribundo, disse: “Não creio que a alma que vive em um
    corpo mortal se extinga desde que saia dele, e que a capacidade de
    pensar desapareça apenas porque deixou o corpo que não tem como pensar
    por si mesmo”.

    Por outro lado Einstein, pouco antes de morrer, declarou
    não crer que algo sobrasse do ser vivo após a morte.
    Os egípcios, os hindus, os sumérios, os hititas e os fenícios criam na imortalidade da alma.

    A ressurreição foi um dos fundamentos do Zend-Avesta.
    Zoroastro também ensinou que o fim do mundo seria precedido por um
    grande acontecimento, a ser predito por profetas.

    Os persas tiveram os
    seus profetas, que foram Ascedermani e Ascerdemat, os quais passaram à
    Bíblia sob os novos nomes de Enock e Elias, entidades míticas, como se
    vê. Desses mitos surgiram o Talmud e os Evangelhos, o que mostra que, em
    religião, a ideia original pertence à noite dos tempos.

    A doutrina do Verbo já era antiquíssima no Egito
    . Deus
    teria gerado Kneph — a palavra, o Verbo —, que é igual ao pai. Da união
    de Deus com o Verbo nasceu o fogo, a vida, Fta, a vida de todos os
    seres.

    O monoteísmo e a Santíssima Trindade eram crenças muito
    antigas na Índia.
    Os deuses únicos e os deuses secundários são uma velha
    doutrina oriental.

    A religião greco-romana já possuía o seu Apolo e
    Zeus, acolitados por uma porção de deuses secundários. Essas velhas
    lendas deram origem ao Deus do cristianismo, com toda sua corte de
    santos e anjos.

    O politeísmo de há muito vinha caminhando para o
    monoteísmo. Os gregos já haviam concebido a ideia de um intermediário
    entre os homens e Júpiter, que era Apolo, tendo-se encarnado para
    redimir os homens.


    Porfírio citou o seguinte oráculo de Serapis: “Deus é antes
    e depois e ao mesmo tempo, é o Verbo e o Espírito, como um e outro”.

    O mundo antigo cria em um Deus único, pai de todas as
    coisas, afirmou Máximo de Tiro. O povo então já dizia: Deus o sabe! Deus
    o quer! Deus o abençoe! Os oráculos só se referiam a Deus e não aos
    deuses.

    Os apologistas do cristianismo, tais como Eusébio,
    Agostinho, Lactâncio, Justino, Atanásio e muitos outros, ensinavam que
    unidade de Deus era conhecida desde a mais remota antiguidade. Os
    órficos, inclusive, admitiam-na.

    Na Bíblia, ao ser traduzido para o grego e para o latim, o
    nome de Deus passou a ser muitas vezes Senhor, Dominus, para ficar
    conforme o nome do Deus-sol do mitraísmo.


    O amor a Deus foi a base de todas as religiões copiadas
    pelo judaísmo. Isaías falava de Deus como Pai Celestial. Ezequiel dizia
    que Deus não queria a morte do pecador, preferindo antes a sua
    conversão.

    O justo viverá eternamente pela fé. São palavras de Habacuc,
    repetidas por Paulo em Gálatas 3:2.
    Como vimos, a doutrina do Verbo vem de Platão, tendo sido
    este o intermediário entre os metafísicos e os cristãos.

    Foi ele quem
    concebeu a ideia da separação do corpo e da alma, e pôs aquele na
    dependência desta. Na sua opinião, a terra era o desterro da alma.

    Foi o
    criador do sistema filosófico da decadência moral do homem, fazendo dos
    sentidos uma ameaça, do mundo um mal, e da eternidade o delírio, o
    sonho.

    Cícero e Sêneca tinham ideias cristãs, mas não conheceram a
    Jesus Cristo nem ao cristianismo. Agostinho leu as obras de Cícero e
    trocou o maniqueísmo pelo cristianismo.

    A Igreja procurou destruir as
    principais obras de Cícero e de Sêneca para que a posteridade não
    percebesse que eles não tinham sido cristãos seguidores de Cristo, mas
    apenas que as suas ideias coincidiam com as que o cristianismo esposou.

    O cristianismo nasceu da helenização do judaísmo.
    Os
    cristãos terapeutas abandonaram o judaísmo ortodoxo porque este tinha
    posto de lado o culto nacional do templo e o sacrifício Pascal,
    retirando-se para uma vida contemplativa nos montes, longe dos homens e
    dos negócios.

    Estabeleceram uma sociedade comunal, considerando o
    casamento um apego à carne, um empecilho à salvação da alma, com o que
    proscreveram os principais prazeres da vida, exaltando o celibato e a
    pobreza, como os essênios, além de aconselhar a caridade.

    Eusébio chamou aos terapeutas de cristãos sem Cristo. Para
    ele, um terapeuta era um autêntico cristão. Isto levou Strauss a
    escrever: “Os terapeutas, os essênios e os cristãos dão sempre muito o
    que pensar”.

    A doutrina dos essênios, a moral dos terapeutas, a
    encarnação do Verbo, vinda do judaísmo helenizado, é o cristianismo de
    Filon.


    Desse modo, Filon foi criador do cristianismo, sem o saber. Ele
    refere-se ao Verbo nos termos da mitologia egípcia, sem, contudo,
    mencionar a crença em Jesus Cristo.

    Salomão fez da sabedoria divina a criação. O Livro da
    Sabedoria define a natureza desse principio intermediário, transformando
    o pensamento vago do rei judeu sobre a sabedoria da doutrina do Verbo.

    Sirac, em “Eclesiástico”, faz a doutrina do Verbo ser mais
    precisa: “A sabedoria vem de Deus, estando sempre com ele. Foi criada
    antes de todas as coisas.

    A voz da inteligência existe desde o
    principio. O Verbo de Deus, no mais alto do céu, é a fonte da sabedora”!
    Filon disse que o Verbo se fizera humano. Segundo ele, Deus era
    infalível e inacessível à inteligência humana, não nos alcançando senão
    pela graça divina.

    Para ele, ainda, o Verbo não era apenas a palavra,
    mas a imagem visível de Deus. O Verbo seria o Ungido do Senhor, o ideal
    da natureza, o Adão Celeste, é a doutrina da encarnação do Verbo,
    tomando a forma humana.

    O Verbo é o intermediário entre Deus e os
    homens. Diz ainda que o Verbo é o pão da vida. Por ai vemos que não foi o
    Cristo o criador do cristianismo, mas sim Filon é que o criou.

    Clemente de Alexandria, Origenes ou Paulo, assim como os
    primeiros padres do cristianismo, jamais se referiram a Jesus Cristo
    como tendo sido um homem que tivesse caminhado do Horto ao Gólgota, mas
    tiveram-no apenas como o Verbo, conforme a doutrina de Platão e de
    Filon.



    XVIII

    O Cristianismo sem Jesus Cristo

    Está patente a existência do cristianismo sem Cristo. A existência do
    clero, por outro lado, foi uma exigência bramânica. Pregando por meio
    de parábolas, os sacerdotes faziam-se necessários para esclarecer o
    sentido das mesmas.

    Justifica-se, assim, o pagamento com as esmolas dos
    crentes. Ensinavam a religião e apoderavam-se do dinheiro. Suas terras e
    os templos já eram isentos dos impostos. O sumo-sacerdote não se casava
    e era venerado como um deus.

    No budismo, tanto os bonzos como os mosteiros são mantidos
    pela comunidade, e os monges, igualmente, não se casam. O Dalai-Lama é o
    Vigário de Deus, o sucessor de Fó, sendo Infalível como o Papa se diz
    ser. Nos mosteiros todos se chamam de irmãos.

    O clero persa era dividido em ordens hierárquicas, e tinha o
    direito a um décimo da renda da comunidade. Os magos persas, como os
    profetas judeus, eram puros e não trabalhavam.

    No Egito, a classe mais alta era a dos sacerdotes. Elegiam o
    rei e limitavam a sua ação. O povo arrendava as terras do templo. Só o
    clero ensinava a religião e presidia aos sacrifícios.

    O regime era
    teocrata e todos tinham de submeter-se às regras eclesiásticas. O
    sacerdote era o adivinho, fazia os oráculos, as profecias, os
    sortilégios e os exorcismos. Afirmava ter força sobre a natureza, para o
    bem da humanidade.

    Os brâmanes procuravam afugentar os malefícios e as
    maldições. Para isto, cultivam certas plantas, como o lótus e o cânhamo,
    das quais faziam licores como o “amrita”, que possuía virtudes
    milagrosas. Tinham as mesmas modalidades de expiação ainda hoje adotadas
    pelo cristianismo.

    As mortificações hindus são as mesmas praticadas pelos
    cristãos medievais. Certos crentes carregaram durante toda a vida
    enormes colares de ferro, outros, pesadas correntes de ferro.

    Alguns se
    marcavam com o ferro em brasa, avivando a ferida todos os dias. Muitos
    vão rolando deitados até Benares, pagar ali suas promessas. Também usam
    sandálias cravadas de finos pregos, os quais entram pelas solas dos pés.

    No Egito, os sacerdotes de Ísis açoitavam-se em sua honra, expiando, com isso, suas próprias culpas e as do povo.

    Entre os gregos havia a água lustral para as expiações e
    para as propiciações. Os sacerdotes de Dodona feriam-se e os de Diana
    praticavam tais coisas em seus corpos, que às vezes punham em perigo a
    própria vida.

    Os romanos procuravam livrar-se das calamidades públicas
    oferecendo aos seus deuses sacrifícios humanos. Os Indostânicos
    tornavam-se celibatários, pediam esmolas, jejuavam e isolavam-se do
    convívio com outras Pessoas.

    No budismo, as crianças eram ensinadas a fazer votos de
    castidade. O governo concedia honras especiais ao que chegavam aos 40
    anos castos.

    No Egito, existiam mosteiros apropriados para os que faziam
    votos de castidade. Também os sacerdotes de Baco, na Grécia, faziam
    tais votos.



    Os sacerdotes de Cibele eram castos e castrados. Em Roma, as
    vestais viviam em mosteiros, indo para eles até aos seis anos de idade,
    e juravam não deixar extinguir-se o fogo sagrado e manterem-se virgens.
    A que faltasse ao juramento seria enterrada viva e, o amante, condenado
    à morte.

    Os budistas consagravam o pão e o vinho, representando o
    corpo e o sangue de Agni, quando os bonzos aspergiam os crentes.
    Enquanto aspergem água lustral, cantam hinos ao sol e ao Fogo, o “Kirie
    Eleison” que os católicos copiaram e cantam ou recitam durante a missa.

    Inicialmente o sacrifício constava da imolação de uma pessoa, a qual
    posteriormente foi substituída pela hóstia. Tal como o padre católico, o
    sacerdote budista também lava as mãos antes das libações.

    A cerimônia budista é em tudo semelhante à missa da Igreja Católica.

    Os persas tinham, em seus ritos religiosos, a eucaristia,
    ou seja, a mesma oferenda do pão e do vinho que também consta do ritual
    da missa, bem como o Pater Noster, o Credo e o Confiteor.

    Na Grécia, rezava-se pela manhã e à noite. Os etruscos
    juntavam as mãos quando oravam. Também a confissão lá era praticada
    pelos persas.

    O ritual do catolicismo tem muito do ritual mitraico,
    assim como a vestimenta dos sacerdotes católicos foi copiada do figurino
    dos sacerdotes de Mitra.

    Muitas das religiões pré-cristãs já festejavam a Páscoa e a
    Natividade. Os persas inclusive dedicaram um dia aos mortos. E, no dia
    em que o filho começava a receber instrução religiosa, havia festa na
    casa dos pais.

    Entre os gregos, cada dia da semana era dedicado a um deus.

    Os Hindus viviam peregrinando de um templo para outro.
    Criam na existência de dias bons e dias maus, como também em sortilégios
    e malefícios.

    Cada pessoa era dedicada a um anjo que a protegia desde o
    nascimento, os chamados anjos da guarda. Benziam as vacas, os instrumentos agrícolas e animais
    domésticos.

    A história do passado religioso do homem está repleta de
    virgens puras e belas, que são as mães dos deuses. Maria, mãe de Jesus
    Cristo, é apenas mais uma dentre tantas outras.

    Igualmente, as procissões constituem práticas
    multimilenares. É antiquíssima tal modalidade de culto. Juno e Diana
    passearam em andores durante muitos séculos. As cidades sempre se
    enfeitaram à passagem dos santos e dos deuses.

    Por aí vemos que nem Jesus nem o cristianismo têm nada de
    original. A veneração das imagens já era muito anterior ao cristianismo.
    Por outro lado, o judaísmo, que as baniu, não foi, entretanto, o
    primeiro a tomar tal atitude.

    Plutarco disse que os tebanos não as
    usavam, assim como Numa Pompílio proibiu os romanos de usarem-nas,
    durante o seu governo.

    O batismo era uma cerimônia praticada pelos
    antigos
    muito antes de se cogitar, sequer, do nome de cristão. Os hindus
    lavam o recém-nascido em água lustral, dando-lhe um nome de um gênio
    protetor.

    Aos oito anos, a criança aprende a recitar os hinos ao
    Deus-Sol. A extrema-unção também, de há muito antes do cristianismo, era
    praticada pelos hindus.

    Copiando detalhes dos ritos e cultos de uma grande
    variedade de seitas, o cristianismo constituiu o seu próprio ritual,
    tudo girando em torno do Deus-Sol, no qual, por fim, vestiram a roupa de
    Jesus Cristo.
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    Fco Oliveira
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    Re: Testemunho de Flávio Josefo Sobre o falso Cristo!

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